Pedagogia emocional: há sempre um novo sentido para o verbo “aprender”

PEDAGOGIA EMOCIONAL: Sentir para aprender
TÍTULO
CHABOT, D., & CHABOT M. Pedagogia emocional: Sentir para aprender. São Paulo: Sá Editora, 2008.
Paula Leite Joaquim[a]
[a]Estudante de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Curitiba, PR – Brasil

Tamanha foi a velocidade com que as mudanças aconteceram neste século, que inevitavelmente
tivemos que mudar de forma drástica nossa maneira de levar a vida. Mudanças significativas na nossa
maneira de ver o mundo, bem como de vermos os Seres Humanos. Hoje compreendemos um pouco mais
profundamente seus mecanismos, psíquico, biológico e, especialmente, cerebral.
Porém, um dos grandes dilemas ainda não resolvidos foi a pouca ou quase nenhuma mudança
nos métodos de ensino. Crianças cada vez mais inquietas e sedentas não somente por conhecimento,
mas também e principalmente por um contato humano verdadeiro e significativo.
Baseados nas descobertas de Peter Salovey e John Mayer sobre Inteligência Emocional, os
autores propõem uma nova maneira de repensarmos a pedagogia, baseada principalmente no conceito
de que não existe uma aprendizagem permanente sem que esta seja vivida de forma emocional.
Por meio de bases científicas, históricas e psicológicas eles procuram incorporar a Inteligência
Emocional às estratégias de ensino, abrangendo assim a dimensão do paradigma cognitivo tradicional.
Após uma pequena introdução, o livro divide-se em duas grandes partes, sendo estas subdivididas
em capítulos.

Na primeira parte, os autores procuram introduzir os fundamentos biológicos da
Inteligência Emocional e dos mecanismos de aprendizagem que a envolvem.
Além da explicação das competências do cérebro para o aprendizado, esses capítulos envolvem
também um entendimento mais profundo das emoções, as emoções primárias e secundárias, como
aprendê-las e o impacto que elas causam tanto sobre o aprendizado quanto sobre o rendimento escolar.
Finalizando esta primeira parte, os autores fazem uma leitura histórica das descobertas sobre
a Inteligência Humana e aprofundam de forma significativa no entendimento sobre a Inteligência
Emocional, esclarecendo aspectos cerebrais de funcionamento das emoções, do aprendizado destas, sua
dimensão intra e interpessoal, bem como a compreensão e expressão dos sentimentos.
A segunda parte do livro é dedicada ao estudo de instrumentos pedagógicos que buscam a
prática dos assuntos teóricos descritos anteriormente, com o intuito de incorporar a Pedagogia
Emocional ao ensino.

Tais estratégias são descritas de forma esmiuçada e visam basicamente proporcionar
emoções favoráveis ao aprendizado, fazendo com que os alunos sintam a matéria aprendida e sintam-se
bem quando as aprendem, levando em conta sempre os perfis pessoais de cada aluno e cada professor.
O livro evolve-se de maneira significativa com a premissa de que o verdadeiro aprendizado não
é cognitivo, mas emocional. Questionamento este que nos faz pensar em nossa experiência pessoal,
onde de fato temos mais facilidade para aprender matérias que “gostamos” ou mesmo como já não
estávamos muito mais envolvidos quando nos “identificamos” com o professor, tendo vontade de
aprender mesmo aquelas matérias que não nos interessam. Serão essas experiências frutos de um
aprendizado influenciado pelas vivências emocionais que o envolvem?
Em um mundo com tantos avanços tecnológicos, os autores trazem uma solução para as
dificuldades ainda hoje encontradas na aprendizagem, partindo do princípio de que além de tudo os
alunos são seres humanos e como tais são movidos pela qualidade de suas vivências relacionais. O
relacionamento amplia o sentido que cada pessoa dá ao processo de aprender e, sem dúvida, pode ser
o grande vilão ou o verdadeiro meio pelo qual aprender pode se tornar um prazer.

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