BLOG

Eliana Sá responde sobre o universo feminino na profissão de editor

Neste bate-papo com o Carlos Ferreira, profissional da área comercial de livros, respondo sobre questões especificamente sobre a Mulher — Profissional do Livro. 

Carlos: O que é o levou você a se tornar editora? Há outras mulheres próximas a você (familiares ou não) que são ou foram do universo do livro?

Eliana Sá : Nasci em Fortaleza, na década de 50, meu pai, jornalista, inevitavelmente foi uma influência grande para o fato de eu me tornar editora. Além de trazer os jornais todo dia pra casa, ele trazia livros e era amigo dos escritores locais, que ele divulgava no jornal. Meus pais também compravam muitos livros no porta-a-porta, coleçōes de clássicos, como O TESOURO DA JUVENTUDE, 18 volumes que li inteiros, várias vezes.

Nessa época, as tradiçōes locais nordestinas eram fortemente intelectuais, eu , por exemplo, frequentei um curso de declamaçāo, quando tinha 10 anos, como toda a criançada de classe média da época; também frequentava a biblioteca da igreja do meu bairro, que era grande e bem movimentada.

Carlos: Como surgiu a ideia do segmento a publicar? E a entrar para o universo digital?

Iniciei minha vida profissional, trabalhando na redaçāo das Infantis da Editora Abril. Lá comecei a me especializar a escrever para crianças e lá escrevi e publiquei meus primeiros contos infantis (final dos anos 70); lá ainda me tornei editora da revista “Recreio”, que publicava os melhores autores de Literatura Infanto-juvenil, Ana Maria Machado, Silvia Ortoff, Ruth Rocha. Depois de muitos anos publicando literatura para adultos, na Globo e na Sá, faço um retorno agora ao infantil. E um retorno, digamos assim, avançado, pois estou publicando e-books para crianças e muito interessada em pesquisar a leitura via celular, telas, etc.

Carlos : Você acha importante dar maior representatividade às mulheres no meio editorial?

Eliana Sá: As mulheres estāo assumindo seu protagonismo em todas as áreas. No mundo editorial, destaco que as mulheres avançaram como as primeiras profissionais da área de direitos autorais, na Inglaterra, após a Segunda Guerra Mundial. Agora, na era da diversidade na qual estamos entrando, as mulheres editoras devem contribuir com a intuiçāo, a sensibilidade, a força da busca por novas formas de expressāo.

Carlos: Quem são suas referências femininas no meio editorial?

Eliana Sá: Admiro a Lilian Schwartz, Heloísa Yan, Maria Emília Bender, editoras; Lucia Riff, Karin Schindler agentes literárias; Denise Botmann, tradutora; Moema Cavalcante, Silvia Massaro,  Lilian Queiroz designers…

Carlos: Em que difere uma editora gerida por um homem e por uma mulher?

Eliana Sá Em nada, se ambos forem bons profissionais.

A editora Eliana Sá, da Sá Editora, no Terceiro Simpósio de Literatura Turca em Istambul (2011)

Deixe uma resposta