Arquivo de fevereiro de 2008

Zidane visita o Brasil e a Sá lança sua biografia

Saiu hoje na Folha de São Paulo: “Largada. A Adidas, patrocinadora da Fifa e concorrente da Nike, parceira da CBF, lançará um projeto social ligado à Copa de 2014, no Brasil.

Cabeçada. Zidane estará em São Paulo, em março, para divulgar o projeto da Adidas. ”
Com esta confirmação, a Sá Editora também dá a largada para lançar a prometida biografia do craque, mais uma homenagem prestada durante sua visita ao país.
Aguardem novidades em breve, pois o livro já está indo para o prelo.

"Feche os olhos para ver melhor" adotado como páradidatico

Olá, pessoal!
Queria parabenizar as obras e dizer que sou professora de português do Colegio Santa Ursula de Maceió… Analisei o livro “Feche os olhos…” e decidimos adotá-lo como nosso paradidatico neste ano letivo. Fiquei logo encantada com a capa e mais ainda quando folheei as páginas e fiz uma breve leitura, uma leitura dinâmica…
Nossos alunos (de maneira geral os alunos), infelizmente, estão mergulhados em instrumentos que induzem à superficialidade; com o livro, entretanto, espero fazê-los refeletir sobre a vida, as diferenças, o direito de todos à inclusão e o respeito, o amor ao próximo, o que está bem esquecido pela sociedade.
Gostaria de saber se não há algum estudo direcionado ou guias de estudo do livro, assim como encontramos em paradidáticos. Da mesma forma, se não poderiam ser enviados alguns panfletos ou folders, cartazes do livro e do autor, Sergio Sá. Isso para que sejam fixados nos murais da escola e que os alunos sejam estimulados a “mergulhar” no que é saudável à alma… Seria muito bom!
Espero ansiosamente uma resposta de vocês, na esperança de que este e-mail tenha como resposta algum “sim” :)
Um abraço e mais uma vez parabéns!

Maira Veras

Pais e filhos adolescentes: como se relacionar melhor com eles,nas palavras de Cybelle Weinberg

Cybelle Weinberg deu uma excelente entrevista ao site Psicopedagogia On Line que reproduzimos aqui! Veja o que fala nossa autora de GERAÇÃO DELIVERY e POR QUE ESTOU ASSIM: OS MOMENTOS DIF??CIES DA ADOLESCÊNCIA.

Eles saem com os amigos, “a turma é a sua família”, mas quando a coisa aperta lá fora eles voltam para a segurança da casa. Por isso os valores e referenciais da família precisam estar muito claros.

Como surgiu a idéia do livro?

Surgiu da vontade de colocar no papel a minha experiência. O livro é fruto do trabalho com adolescentes, dando aula de filosofia e como orientadora no Colégio Palmares. A grande preocupação da escola com a formação dos alunos nos levava a muitas reflexões. E a própria aula de filosofia propicia que você converse com os alunos, os temas suscitam discussões que vão além do programa. Os alunos se envolviam muito com as aulas, principalmente porque, na adolescência, as questões são existenciais, filosóficas. Desta forma, as aulas eram momentos onde discutíamos as questões da adolescência, questões éticas, estéticas, sociais.
Por outro lado, como orientadora do colégio, tinha por hábito entrar nas classes para conversar com os alunos. Mas logo percebemos que chegar numa classe e falar sobre um determinado tema era percebido pelos alunos como algo imposto, que vinha de fora. Eles se retraiam. Então criamos um sistema de questionário, onde verificávamos quais eram os assuntos que eles estavam querendo discutir. Então as aulas eram preparadas a partir destes temas e a partir das necessidades deles íamos conversando, indicando bibliografias, etc.
A relação que eles tinham comigo era a de alguém que ia à classe conversar com eles, em quem podiam confiar. Depois de um certo tempo, passaram a usar um sistema de bilhetinhos anônimos, em que contavam os problemas e as dúvidas que eles tinham. Muitas vezes, saía do colégio com sacos de bilhetinhos, que eu organizava e depois conversava com os outros professores, para estarmos discutindo esses temas em diferentes matérias.

Como o livro trata os temas da adolescência?

De maneira leve, porém verdadeira. O tom do livro é de bate-papo. O que eu faço é pegar situações do cotidiano e falar sem medo delas.
A idéia do livro não é uma doutrina ou estar explicando para o adolescente como ele é, ou classificando o adolescente. A idéia é bater papo, mostrar que as coisas que acontecem com ele são normais na adolescência, que não acontecem somente com ele, mas com a maioria dos adolescentes. E fui escrevendo o livro a partir daquelas perguntas.
Vou colocando situações do cotidiano, o adolescente na escola, com a família, o namoro, a sexualidade. Os pais que lêem, se identificam com as situações que ocorrem em suas casas.
Porque o adolescente vira um estranho dentro de casa. Se ele estranha os pais, que não são mais os seus heróis, os pais também estranham aquele adolescente, grandalhão, que se veste diferente, que bate em tudo, que faz muito barulho.

Os pais apresentam muitas dificuldades em lidar, em entender esta nova fase?

Sim, principalmente com a forma como o adolescente lida com o tempo.
O tempo interno do adolescente é mais importante ou significativo do que o tempo lógico ou externo. Eles estão muito mais preocupados, por exemplo, com a formatura que será no final do ano, do que com a prova de amanhã. Essa é uma queixa que os pais têm muito. O adolescente é mais movido pelo desejo do que pela lógica, mais pelo princípio do prazer, do que pelo princípio da realidade.
É um momento de estruturação da subjetividade dele, e é muito interessante ver, por exemplo, como ele usa a agenda. Na sua agenda, o adulto coloca seus compromissos e horários, enquanto na agenda do adolescente não cabe o horário das provas, nenhum compromisso, porque ela está cheia de bilhetes, cartão postal, fotografia, etc… porque isso o que lhe interessa.

Por que a escolha deste título “Por que estou assim? Os momentos difíceis da adolescência?”

Escolhi este título “por que estou assim?”, porque falo de uma fase. O “estar assim” significa que os conflitos da adolescência são próprios de um período da vida, que não se será assim para sempre. Ou que não precisa ser. E “os momentos difíceis” porque penso na adolescência como um drama individual, e o cenário deste drama é a escola, a casa, o bar onde encontram os amigos, que são as situações que vou descrevendo e comentando.
O que permeia todo o livro é a psicanálise. Eu tento explicar o que está acontecendo com ele, com base numa história que não começa na adolescência, mas que começa antes dele nascer, que começa no desejo dos pais. E o adolescente é fruto dessa história. Mas não caio num determinismo, porque acredito que ele pode elaborar esta história, muda-la. A questão é o que ele vai fazer com esta história que ele recebeu.

Qual a razão da adolescência hoje, ser um período tão prolongado?

No livro eu falo de adolescência precoce, porque ela está começando cada vez mais cedo. Por influência da televisão, talvez. Nós vemos meninos e meninas de nove, 10 anos, se colocando como adolescentes. E por outro lado, vemos rapazes e moças de 25, 30 anos, usando boné, bermuda, ainda dependendo financeiramente dos pais, sem condições de entrar no mercado de trabalho.O adolescente, hoje, precisa de mais do que uma faculdade. É pós-graduação, doutorado, uma formação que nunca acaba. Até este indivíduo entrar no mercado de trabalho, vai ficando na casa dos pais.

Qual o período crítico que você observa na adolescência?

Por volta de 15/16 anos, se podemos falar de fase crítica, ou apogeu.
Na verdade quando falamos que um menino de 9/10 anos está entrando na adolescência, na verdade está entrando na puberdade. Existe uma pressão social para ele se comportar como um adolescente, assim ele acaba se autodenominando pré-adolescente.
Depois dos 18 anos e 20 anos, não dá para negar que já são mais maduros, mais centrados, a crise propriamente dita já passou.

Os questionamentos nesta fase, para o adolescente, são de ordem filosófica?

Sim, principalmente porque coincidem com a escolha profissional, com o vestibular, além da escolha do “quem sou eu?”, “o que vou ser?”.
Todo dia se diz a ele – se você não estudar, não será ninguém na vida”. Este “não ser ninguém”, essas escolhas definitivas, são fantasmas que o perseguem. Ele não consegue nem saber ainda quem ele é, como é que ele vai conseguir se imaginar no futuro como um profissional?
A outra questão é a da dependência e independência, o movimento de sair de casa e voltar. Acredito que o que agrava esta crise é a postura dos pais, da família, pois os pais também estão muito perdidos, não sabem se devem impor limites, se deixam o adolescente sair, se o prendem, e o adolescente fica mais perdido ainda, porque perdeu os referenciais da casa. Os pais se sentem culpados ao proibirem alguma coisa, caindo no argumento do adolescente: “todos os pais deixam, menos vocês”.
Este ir e vir é próprio da adolescência. Eles saem com os amigos, “a turma é a sua família”, mas quando a coisa aperta lá fora eles voltam para a segurança da casa. Por isso os valores e referenciais da família precisam estar muito claros.
Na verdade o adolescente está muito perdido, porque os pais também estão, não conseguem dar este referencial para o adolescente.

Por que você acha que os pais estão perdidos?

Os pais têm uma questão com sua própria educação, não querem ser repressores como foram seus pais.
Mas a abertura foi muito grande, caiu no outro extremo, o do “pode tudo”.
Os pais antigamente tinham certeza do que era ser pai e mãe, e mesmo quando eles erravam, não tinham dúvidas do que estavam fazendo. Assim, o adolescente podia até contestar, brigar, etc…
Hoje se os pais dão uma palmada em seus filhos eles morrem de culpa, passou para uma falta total de referência, de limites, do que pode e do que não pode.
No consultório aparecem pedidos explícitos ou mesmo velados, para que eu os ensine a ser pai, ou mãe, que é uma coisa que muitos não sabem.

Você acha que falta um tutor?

Não sei se um tutor, mas faltam valores, crenças, rituais sociais.
Antigamente havia alguns rituais que marcavam essa passagem. Coisas bobas até, como a chave da casa. Não estou nem pensando nos “rituais de passagem” de grupos primitivos. Havia coisas que eram permitidas a um jovem e coisas que eram proibidas. Hoje tudo pode, dentro de casa e fora dela.
Alguns rituais que parecem bobagens representam uma passagem de uma fase para outra, como a festa de debutantes no passado, que as meninas retomaram, para espanto dos pais. Veja o caso da tatuagem, dos piercings nos dias de hoje. Penso que o próprio adolescente foi buscar seu ritual, fazendo suas marcas no corpo.

A sociedade também precisa rever essa postura paternalista com o adolescente, esse “pode tudo?”

Baltimore, nos Estados Unidos, apresentava, há alguns anos, o maior índice de gravidez precoce. Meninas de 12/13 anos estavam engravidando e o Estado lhes dava uma pensão de U$ 474,00 por mês para poderem criar os bebês.
Mas isso estava saindo caro resolveram mudar sua tática, suspendendo a pensão e colocando outdoors na cidade com uma foto de uma menina com um bebê. Ao lado da foto, a informação de que a partir daquele momento, o pai, mesmo que tivesse 13/14 anos, iria ser obrigado a pagar essa pensão para esse bebê, acompanhada da seguinte frase: “Um bebê custa U$ 474,00 por mês; quanto você tem no bolso?”
Hoje Baltimore tem o menor índice de gravidez precoce. Isso mostra a necessidade de estar chamando o menino para a responsabilidade. Ter um filho não é brincar de casinha.

A questão é de base, de estrutura da família?

Acho que sim, a família mudou muito, as crianças vivem muito isoladas hoje em dia. Não temos mais aquela família com avós que contam histórias, primos, uma mini-comunidade, que além de ajudar a olhar por elas, as educava, transmitia valores. Os pais saem para trabalhar, a criança fica assistindo televisão, ficam sem referenciais, sem alguém que lhes diga o que é certo e o que é errado.
O outro problema é que a família está jogando muito desta responsabilidade para a escola, e esta também precisou mudar. O papel da escola, hoje, deixou de ser apenas o de informar, por conta de toda esta situação. De qualquer forma, é uma sobrecarga para a escola, ter que dar conta do currículo, do programa, de todas as questões, até de questões práticas como alimentação, vestuário, boas maneiras…
Pergunto-me: com quem esses adolescentes conversam? Eu não sei.
A comunidade que era familiar, agora ficou sendo a escola. A escola também não dá conta do adolescente. Então temos o “adolescente pacote”, aquele que é empurrado pela família para qualquer um que consiga lidar com ele: professor, orientador, psicólogo…

Como podemos reverter esta situação?

Estando mais atento para o adolescente, conversando mais com ele, acompanhando-o em sua caminhada. Ser amigo, sem ser “o/a coleguinha”.
Depois que terminei o livro fiquei com uma preocupação, um medo de que os pais que o lessem pudessem começar a “diagnosticar” seus filhos, achando que é por causa do tal complexo de Édipo, ou por que é trauma, que ele está assim. A intenção do livro é fazer com que os pais percebam que seu filho/a não é um ET, que ele é fruto daquela família, do modo como foi criado, educado. Sem, também, culpá-los. Mas chamando-os à responsabilidade.

O que mais preocupa o adolescente?

A questão da normalidade. Eles se questionam muito se são normais, se é normal ter fantasias sexuais, se é normal se excitarem com o colega do mesmo sexo, se é normal ter ódio do pai e da mãe, se é normal querer matar o irmãozinho.
Quando falo do drama do adolescente, falo deste drama subjetivo, pois tudo na vida do adolescente é um drama. E tudo para ele é dramático, porque as emoções estão exacerbadas.
A idéia do livro é mostrar a todos eles que esse drama acontece a todos. A solução é crescer, amadurecer, envelhecer. Adolescência não é doença, por isso não tem remédio.

O que mais deve preocupar os pais?

Duas questões de extrema relevância: o uso de drogas e o transtorno alimentar.
Procuro mostrar ao adolescente que ele pode morrer, sim, se abusar da droga, do perigo que é experimentar a droga, e para as meninas principalmente, a mania do regime, que pode desembocar numa bulimia, numa anorexia, e muitos acabam morrendo por causa dessas questões.
O adolescente se sente onipotente, acha que não vai acontecer nada, nunca vai ser assaltado, nunca vai bater o carro… Na questão das drogas, acham que podem parar quando quiserem, ou podem parar o processo de anorexia quando quiserem também.
O que eles não sabem é que isso não é verdade, que às vezes até com ajuda, eles não conseguem sair dessas situações.

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Cybelle Weinberg – : psicopedagoga e psicanalista. Sempre trabalhou com adolescentes, como Orientadora Educacional e Professora de Filosofia e Psicologia. Atualmente, atende em seu consultório em São Paulo.
Fone para contatos (11) 3081 7778.

Leia:

» GERAÇÃO DELIVERY
Org.: Cybelle Weinberg

» Por que estou assim? Os Momentos difíceis da adolescência
Cybelle Weinberg

"Época" entrevista Christiane Collange

Nosso livro A segunda vida das mulheres foi pauta da revista Época (dez.2007) que publicou um interessante entrevista com a autora francesa Christiane Collange, de quem publicamos também Nós, as sogras.

A SEGUNDA VIDA DAS MULHERES
27/12/2007 – 11:03 | Edição nº 502

Kátia Mello

A escritora francesa Christiane Collange, em entrevista a Época, responde importantes questões sobre como as mulheres podem enfrentar e superar os problemas que acompanham a chegada da meia-idade. A autora de 16 livros é conhecida por ter chegado aos 75 anos sem ter feito nenhum plástica. O mais recente livro editado no Brasil é “A segunda vida das mulheres”, publicado pela Sá Editora. Confira o bate-papo entre Collange e a jornalista Kátia Mello.
ÉPOCA – Em um de seus livros você afirma que não existe exatamente uma crise de meia-idade. Então qual seria a explicação para algumas mulheres se queixarem quando atingem os 50 anos?
Christiane Collange – Você acha realmente que elas se queixam quando estão com 50 anos? Eu acho que elas também se queixam quando têm 40 anos e muitas delas ficam muito tristes quando não estão mais na faixa dos 20 anos! Todas as mulheres odeiam ficar mais velhas. Elas lutam uma guerra desesperada contra o avanço da idade e é muito depressivo lutar uma batalha que certamente será perdida!

ÉPOCA – O que faz com que a mulher tenha uma boa segunda vida?
Christiane – A melhor maneira de ter uma segunda vida feliz é decidir que esta parte da sua existência será diferente da primeira parte da sua vida. A inexistência de crianças pequenas dará uma fantástica liberdade para fazer coisas que você não tinha tempo antes. Se você esteve se dividindo o tempo todo entre cuidar das crianças e crescer profissionalmente, você pode enfim encontrar um novo ritmo menos estressante. O outro ponto é ser alguém por você mesma e não apenas dependendo das vontades, do dinheiro, do desejo sexual e do status social do homem. Você também tem que admitir que não está mais “jovem” fisicamente, mas que pode ser encantadora, amorosa, atrativa e bonita por saber quem você é. O importante é ter consciência que você não é mais jovem.

ÉPOCA – Como mulheres entre 40 e 50 anos devem se preparar para garantir a independência financeira dos maridos e dos familiares?
Christiane – É tarde demais se você começou a pensar aos 40 em ser financeiramente independente. Independência deve começar quando se é mais jovem, para ser educada, para ter um diploma universitário e para escolher uma carreira para o resto da sua vida. Você também pode ser muito rica se tiver nascido em uma família rica, mas isso não é uma escolha individual!

ÉPOCA – Você afirma em um de seus livros que as mulheres tem o direito de serem egocêntricas. Você poderia explicar melhor esta afirmação e dar alguns exemplos?
Christiane – A maioria das mulheres nascida em meados do século XX foram educadas com a idéia de que uma “boa” mulher deve ter um alvo na vida: fazer seu marido e suas crianças felizes, independente das dificuldades e das desilusões. Ninguém nunca disse a elas que deveriam também cuidar dos seus próprios desejos e vontades. Nesta segunda vida deve-se aprender que a única pessoa que pode realmente ajudar as mulheres a encontrarem encanto na vida são elas mesmas. É difícil, mas é importante inclusive para o bem-estar da família e para o futuro do casal. Apenas humanos satisfeitos podem dar felicidade para outra pessoa!

ÉPOCA -Como uma mulher na meia-idade enxerga seu próprio corpo? Como você analisa esta tendência brasileira das mulheres fazerem cirurgias plásticas?
Christiane – Na França eu tenho sido conhecida como a “Joana D’Arc anti-lifting”, que explica por que eu nunca fiz uma cirurgia plástica! Eu poderia escrever um longo artigo (e inclusive um livro) sobre o assunto, mas eu realmente não tenho tido tempo esses dias!

ÉPOCA- Como as mulheres devem lidar com o ninho vazio?
Christiane – Pessoas sempre consideram que mulheres ficam desesperadas quando seus filhos crescem. Pela minha experiência adquirida durante entrevistas de muitas mulheres modernas elas freqüentemente dizem que é também um alívio. Não se esqueça que quando os filhos crescem, deixam de ser criança e passam a ser adolescente, freqüentemente a relação com os pais se torna muito difícil. A síndrome do ninho vazio pode ser também um alívio quando você tem tempo para viver sua própria vida em vez de devotarem seu tempo a jovens muitas vezes egoístas. Isso vale também para as mulheres que se casam pela segunda vez na segunda vida, que está se tornando cada vez mais freqüente com o alto índice de divórcio na sociedade atual.

Comente aqui o que lhe trouxe de importante as leituras dos dois livros de Collange. Compartilhe suas impressões!

Série "Heitor" em Mente&Cérebro

Nossa série “Heitor” – três livros deliciosos, com capas de Hélio de Almeida, ilustradas pela artista Laurabeatriz — mereceu um bela crítica na revista Mente&Cérebro (31/01/08). Confiram!
O psiquiatra em busca do enigma do tempo
por Gláucia Leal

Heitor é um psiquiatra que gosta de ouvir seus pacientes. E de fato se preocupa com as angústias daqueles que o procuram em seu consultório. A nova viagem de Heitor à procura do tempo que passa, traduzida por Ana Montoia e lançada pela Sá Editora, é a última aventura da trilogia criada pelo psiquiatra François Lelord, de 54 anos. Ouvindo seus pacientes, o simpático protagonista, alter ego do autor, conclui que quase todos tinham dois tipos de inquietação: um medo doloroso de que as horas passassem rápido demais ou a triste impressão de que o tempo se arrastava, de forma repetitiva.

Fernando, por exemplo, costumava contar o tempo em cachorros: considerando a estimativa de vida do animal, calculava que lhe restavam dois cães e meio de vida. Sabrina, que vivia incomodada com seu chefe (um homem bem pouco gentil), sentia que tudo acontecia muito rápido – e sofria com isso.

Até Heitorzinho – o pequeno paciente e xará do médico – aborrecia-se com os ponteiros do relógio que, em sua opinião, corriam muito lentamente. Já o astrônomo Humberto, o homem culto, que escutava estrelas com aparelhos muito caros e sofisticados, só queria voltar para os anos em que sua ex-mulher ainda o amava. Mas sabia que era impossível – e isso o deprimia. Outra paciente, Magda, recorria a cremes e ginástica na tentativa de enganar a idade: tudo o que queria era ser bela e admirada. Mas sua pele e seu corpo se transformavam, e a moça, que já não era tão moça assim, temia não ter mais tantas oportunidades de agradar aos outros, principalmente aos homens, como no passado.

Escrito em linguagem direta e atraente, o livro convida o leitor a correr o mundo à procura de respostas em companhia do personagem. O primeiro livro da série, A viagem de Heitor à procura da felicidade, uma alegoria sobre as buscas que empreendemos no intuito de encontrar o bem-estar emocional, é a 14a obra de ficção mais vendida em 2005 em todo o mundo. Já o segundo, Heitor e os segredos do amor, trata de assuntos como afeto, ciúme e traição. As três obras compõem uma coleção delicada, que estimula reflexões acerca do amadurecimento, do sofrimento e do ofício de cuidar de pessoas.

Gláucia Leal é jornalista, psicóloga, psicanalista e editora de Mente&Cérebro.

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