BLOG DA SÁ
Antes da coletiva no Clube Paineiras, em São Paulo, Zidane recebeu um exemplar do livro ZINEDINE ZIDANE da Sá Editora e deu seu autográfo.
Foi o máximo que conseguimos: totalmente blindado pelo patrocinador, o craque não pode comparecer a um evento público de lançamento de sua biografia, como era o desejo de seus milhares de fãs.

Câmeras esperam pelo ídolo

Zidane responde em francês

No tumulto da saída, um alô para a editora

O autográfo na página de abertura do livro
Folha de S. Paulo, domingo, 16 de março de 2008
Chegada do ex-craque francês, que participa hoje de uma partida beneficente em São Paulo, marca lançamento de sua biografia
DA REPORTAGEM LOCAL
“Sincédrie.” Foi assim, numa convocação da seleção sub-15, que a Federação Francesa de Futebol chamou pela primeira vez o rapaz marselhês do pequeno time do Septêmes.
Bem diferente do nome que seria o grande ícone do futebol entre dois séculos, protagonista de uma Copa, figurante em outra e anti-herói na terceira. Uma narrativa que o Brasil conhece a partir de hoje, com direito a uma visita do ex-craque.
A chegada de Zinedine Zidane a São Paulo prevê hoje um jogo beneficente no Paineiras (cujos ingressos foram trocados até ontem por alimentos) e o lançamento da versão nacional de sua biografia -carreira mágica de fim inesperado.
A cabeçada no peito do italiano Marco Materazzi, que o expulsou na final da Copa-2006, rendeu um inexplicável anticlímax ao seu recital derradeiro.
O livro Zinedine Zidane (Sá Editora, 256 págs., R$ 45), dos jornalistas Jean Philippe e Patrick Fort, incomoda pelo tom oficial e apaixonado, mas faz compreender aquele que sepultou o Brasil duas vezes.
O retrato de um garoto tímido, caçula de família argelina, é coerente com o jogador avesso a frases bombásticas, escândalos ou comemorações efusivas.
Nem mesmo quando se esperava aspereza do meia, na final da Copa de 2006, o mundo ouviu algo de fúria. Só três dias depois e de cabeça fria, Zidane se manifestou (veladamente) sobre a ofensa de Materazzi e a cabeçada. Desculpou-se.
O trunfo do livro é o grau de intimidade com o jogador raras vezes imaginado. Do momento em que é vendido pelo Cannes ao Bordeaux e extrai a declaração “Fui vendido como um animal” à comemoração contida, em 1998, ao lado do filho Enzo.
Do temor no início da passagem pelo Real Madrid à sensação de ser um pivô de diferenças políticas entre franceses, argelinos e outras etnias árabes, num amistoso realmente tumultuado entre França e Argélia, em Paris, em 2001.
E diverte, quando lembra que os franceses celebravam cada vitória em 1998 com o hino gay “I Will Survive” (”Eu sobreviverei”), de Gloria Gaynor.
Sobre Materazzi, o livro não ultrapassa o relato do italiano, que publicou com dois co-autores sua versão dos fatos (a frase da final seria “Eu prefiro a puta da tua irmã”). Mas faz jus à classe do primeiro mito do futebol deste milênio, que fez do domínio majestoso um lance mais importante que o chute.
(MÁRVIO DOS ANJOS)
O ESTADO DE SÃO PAULO, sábado, 15 de março de 2008, 16:59
Ex-jogador francês é a estrela do jogo deste domingo; acesso ao ex-meia do Real Madrid será complicado
SÃO PAULO - Zinedine Zidane visita o Brasil pela primeira vez neste fim de semana. O astro francês, com chegada prevista para a noite deste sábado, participará neste domingo de evento na favela de Heliópolis antes de disputar um jogo beneficente. O ex-atleta, trazido pela Adidas, multinacional de material esportivo que o patrocina, chega ao País blindado.
Seus assessores impuseram uma série de regras rígidas para a hospedagem e, principalmente, para o atendimento à imprensa. Durante a entrevista coletiva deste domingo, por exemplo, nenhum repórter poderá fazer perguntas. Elas já foram enviadas por e-mail e serão selecionadas por sua assessoria.
Até mesmo a Sá Editora, responsável pela publicação de sua biografia no Brasil, vem tendo dificuldades para se aproximar do craque. A obra Zinedine Zidane (R$ 45,00), escrita pelos jornalistas Jean-Philippe e Patrick Fort, foi lançada na Europa em 2006, mas só neste domingo chega ao País. Diretores da editora não conseguiram nem sequer um minuto da agenda do craque para lhe entregar o livro.
Zidane está hospedado no Emiliano, um dos mais luxuosos hotéis da capital, nos Jardins. E será acompanhado por sua equipe e por seguranças durante a permanência no País - deverá deixar São Paulo na noite deste domingo ou segunda.
Algoz da seleção brasileira nas Copas de 1998 e 2006, o astro vai inaugurar uma quadra de futsal na comunidade de Heliópolis, pela manhã, e jogará futsal com ex-atletas, como Müller, Ronaldão e Raí, à tarde, no Paineiras do Morumbi.
O ex-jogador francês Zinedine Zidane, que brilhou nas vitórias sobre o Brasil nas Copas do Mundo de 1998 e 2006, vem a São Paulo neste final de semana para promover projetos sociais e lançar a sua biografia.
Zidane irá inaugurar uma quadra poliesportiva na região de Heliópolis, em São Paulo, e também participará no Clube Paineiras de uma partida beneficente de futsal no domingo.
Os 4.500 ingressos disponíveis para assistir ao jogo se esgotaram em três dias. Cada ingresso foi trocado por dois quilos de alimentos não-perecíveis, que serão doadas para a comunidade de Heliópolis.
Em sua passagem por São Paulo, o livro Zinedine Zidane também será lançado no Brasil. A biografia foi escrita pelos jornalistas Jean Phillipe e Patrick Fort.
Lancepress
Video do Zidane… Espetacular!!!
As jogadas geniais do Zizou…
Um craque, uma lenda
Para conferir, enquanto descansa da leitura da biografia:
Se você tem mais dicas, escreva, compartilhe!
Como é que lê quem não vê – inclusão na leitura dos deficientes visuais
Sérgio Sá – autor de
“FECHE OS OLHOS PARA VER MELHOR”- EDIÇÃO EM TINTA E EM BRAILLE - e “ECOS DO AMANHÔ
Criado há150 anos, o alfabeto Braille tornou-se meio indispensável na educação de cegos no mundo inteiro.
Sua estrutura, baseada em códigos de guerra, dispõe 63 sinais
criados a partir de duas colunas de 3 pontos cada. Os pontos são obtidos perfurando-se a superfície; os pequeninos orifícios são perceptíveis ao tato. Consideremos então as duas colunas de 3 pontos, uma ao lado da outra, ou seja, os pontos 1, 2 e 3, dispostos verticalmente ao lado dos pontos 4, 5 e 6. Os sinais nascem da análise combinatória, levando-se em conta a posição e o número de pontos utilizados.
Assim a letra A é representada pelo ponto 1, a letra B pelos pontos 1 e 2, o C serão os pontos 1 e 4, etc.
É portanto natural concluir que a alfabetização de cegos dependa fundamentalmente do desenvolvimento de seu tato, não apenas da percepção tátil mas também da ligação entre o sentido e o cérebro.
Os métodos anteriores de alfabetização constituíam-se na recriação das letras com varetas, apenas para que o cego pudesse ter noção de seu
desenho, ou enormes volumes produzidos por folhas grossas de papel onde as letras de fôrma eram premidas em alto relevo.
Além disso,antigamente se pensava, para que alfabetizar um cego, que utilidade teria para ele reconhecer as letras ou ler qualquer coisa?
Luís Braille, filho de sapateiro, perdeu a visão na infância, num
acidente em que perfurou o nervo ótico com um estilete brincando de recortar um animalzinho de couro. Seus pais ainda tiveram a iniciativa de colocá-lo na única escola existente na França onde o menino foi, por assim dizer, alfabetizado.
Mas Luís queria muito mais: sua aptidão para música logo despertou, e ele, a despeito das negativas, sempre arranjava um jeito de aproximar-se de um órgão. Mais tarde, com a maturidade, tornou-se um dos mais renomados organistas de Paris.
Fugido da escola, vivia de restos de feira e só começou a ganhar algum dinheiro quando fez apresentações tocando órgão em paróquias regionais. Sensível, espírito inquieto, indomável, Luís percebeu o que nem os que tanto enxergavam eram capazes de perceber: a falta da visão não aprisionaria aqueles que buscassem de fato aprender e evoluir.
Era necessário criar condições de acesso à leitura e escrita, abrindo de vez as portas do conhecimento a todos os cegos.
O código Braille foi logo adotado na Europa e dezenas de escolas para cegos proliferaram pelo mundo até que chegássemos ao século 20 superando a marca de 100 centros educacionais para deficientes visuais.
COMO É QUE LÊ QUEM NÃO VÊ?
Alfabetizar um cego através do sistema Braille quer dizer
inicialmente preparar seu tato para identificar os caracteres; o que não é, como poderá parecer à maioria, tarefa fácil.
Com os avanços da ciência, descobriu-se recentemente que o cérebro institui caminhos neurais pelos quais os sentidos se conectam e interauxiliam uns aos outros.
No caso dos deficientes visuais, por exemplo, o tato será o primeiro sentido a receber apoio do setor cerebral responsável por decodificar mensagens da visão.
Mas imaginemos o contexto em que o Braille chegou ao mundo: metade do século 19, França ainda abalada pelas peripécias napoleônicas, toda a lentidão nas comunicações e transportes, a ignorância e descaso quanto aos portadores de deficiências físicas e mentais.
Foram necessários mais de 20 anos para que o alfabeto Braille fosse de fato reconhecido como engenhosa ferramenta de alfabetização e só na última década (desde 1890), foram desenvolvidas as regletes e punções, aparelhos menores com que se poderia escrever mais fluentemente os sinais.
Também se fazia fundamental a mudança no modo de encarar um cego; não mais como um inválido, incapaz de se gerir e produzir, mas um cidadão útil à sua comunidade, pronto a crescer e se instruir.
Assim sendo, as famílias e educadores começaram aos poucos a
compreender que precisavam desenvolver nas crianças cegas sua acuidade tátil e perceberam que a alfabetização obedecia a certos parâmetros específicos: o Braille não permite que se leia uma palavra inteira ou grupos de letras de uma vez só. É necessário que o cego apalpe letra por letra e forme a palavra gradativamente, exigindo maior concentração.
No sistema, os algarismos são representados pelas letras de A a J, precedidas de um sinal chamado sinal de número. Assim, ao invés do leitor ter de aprender os símbolos numéricos, terá de decodificar, por assim dizer,as letras ou grupos de letras como algarismos.
A utilização de figuras associadas às palavras, recurso que tornaria mais fácil a assimilação, fica restrita aos desenhos que possam ser feitos e identificados em alto relevo.
Não há como se produzir sinais Braille maiores ou menores, eles têm de ser escritos num tamanho padrão para que os dedos possam reconhecê-los. Desta forma, não se poderá usar letras grandes ou diferentes no formato para ressaltar frases ou palavras. Tudo que for maiúsculo será anunciado por um sinal.
A velocidade da leitura também está condicionada à identificação das letras e montagem das palavras; difícil será encontrarmos um leitor cego, por mais rápido que seja, capaz de se equiparar em velocidade a um leitor comum.
Em muitos países desenvolveram-se e são adotados sistemas baseados no Braille nos quais sufixos como _MENTE ou _AÇÃO, por exemplo, são substituídos por um único sinal.
Estes novos sistemas, no entanto, geram polêmicas quanto à sua eficiência pois, ao mesmo tempo em que representam economia de espaço e abreviam a compreensão, constituem-se em códigos sobre códigos, obrigando os aprendizes a familiarizarem-se com dois ou mais modos de escrever, prejudicando também a assimilação da ortografia.
A evolução dos tempos trouxe-nos o livro falado, valiosa forma de acréscimo no universo literário dos cegos. Com a popularização dos gravadores, familiares, professores e amigos, passaram a gravar obras didáticas e de ficção até que instituições, ao longo dos anos 50, aderiram e se prepararam criando estúdios e congregando voluntários.
Hoje são muitos os processos de digitalização de livros;
sintetizadores de voz, ledores profissionais, atores e locutores
voluntários, ocupam os computadores e microfones lendo filosofia, poemas clássicos ou estórias, buscando preencher as profundas lacunas criadas pela cada vez maior produção de livros no mundo.
Mas onde estará o prazer da leitura?, como está a produção de livros Braille?Quais as principais diferenças entre eles e os livros falados? Além da praticidade na produção, os livros em cassete ou CD são muito menores, de envio mais barato e, nas versões digitais, permitem fácil navegação. Custam menos do que os impressos em Braille e ainda podem ser copiados pelo próprio leitor.
Livros Braille exigem grande quantidade de papel, maquinário caro e específico, revisores especializados; são de manejo delicado, necessitando cuidados no transporte. Não são copiáveis pelo leitor e ocupam grande espaço nas estantes. Mas eles proporcionam real envolvimento do leitor:
pode-se determinar a velocidade e imprimir seu próprio tom na
leitura sem ter de se adaptar ao ritmo alheio.
Além disso, o sistema Braille é o único modo existente para
alfabetizar, dar conta de como se escreve, é pura leitura, com todas as vantagens cognitivas de se estar lendo, sem contar o prazer e o aumento da auto-estima.
Até que novos passos sejam dados na direção da verdadeira inclusão social, quando a educação levar mesmo em conta o cidadão, com todas as deficiências e capacidades que tem, Braille e livro falado terão seu lugar, seu grau de importância e funcionalidade.


