FECHE OS OLHOS PARA VER MELHOR – Os limites dos sentidos e os sentidos dos limites

FECHE OS OLHOS PARA VER MELHOR
Os limites dos sentidos e os sentidos dos limites   Sérgio Sá

O desenvolvimento de nossos próprios sentidos e a descoberta de novos limites para suas expansões, é a proposta central que apresenta este livro de Sérgio Sá. São reflexões e relatos de experiências vividas pelo autor, em um depoimento sensível e tocante sobre sua condição de deficiente visual e sua relação com o mundo.

Cego de nascença, Sérgio teve sua sensibilidade trabalhada com cuidado e carinho, esculpida por uma família atenta e preocupada em “adequá-lo” à vida numa sociedade tão preconceituosa quanto repressora. O fio condutor da obra está na sugestão que o autor nos faz para que criemos novas maneiras de ver, ouvir, sentir, lidar com o mundo. Para isso, devemos reavaliar o potencial de nossos recursos físicos – tato, audição, olfato e paladar -, mentais e espirituais – nossa capacidade de perdoar, de compreender, de julgar sem condenar.

Temas como a integração social do deficiente físico, a supervalorização da imagem nos dias atuais, conflitos entre individualismo e auto-estima se apresentam de maneira simples e instigante: “A cultura da imagem, tão forte, capaz de anestesiar os sentidos, (…) leva-nos a renunciar a multiplicidade. Agora sei que não é preciso apenas ver para crer; podemos também ouvir para acreditar, cheirar para compreender, sentir o paladar para aprender, tocar para interagir!”

Autor

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Sérgio Sá, que é consultor da Fundação Dorina Nowill para Cegos, em São Paulo, e o programador Pedro Milliet estão iniciando um projeto de leitura através do computador para deficientes visuais e pessoas com baixa visão: o livro é gravado por um leitor, convertido em MP3 e o texto acompanha na tela, em fonte aumentada, a voz gravada. Este projeto é inédito mundialmente e tem o aval da Fundação Dorina Nowill para Cegos.

Edição em Braille

SÁ EDITORA LANÇOU PRIMEIRA EDIÇÃO COMERCIAL EM BRAILLE DO PAÍS:

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Esta iniciativa visou ampliar o universo da leitura tão restrito aos deficientes visuais no país: o custo do livro em Braille ainda é muito alto, a produção requer máquinas especializadas, papel de alta gramatura, baixas tiragem e limita-se, basicamente, aos didáticos e clássicos da literatura. Além disso, o processo de impressão tem suas peculiaridades, entre elas a necessidade do trabalho de revisores cegos, profissionais que conferem os textos letra por letra, com o tato.

EDIÇÃO ESGOTADA

“Meu livro não é um manual para cegos ou só para videntes; escrevo para pessoas e exploro o universo dos outros sentidos; procuro mostrar como é possível ampliar canais de percepção que possam estar atrofiados pelo mundo das imagens.

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Leia um trecho

O leitor que buscar neste livro a descrição da trajetória de um homem bem sucedido, afortunado e realizado em seus mais profundos anseios, um receituário de fórmulas testadas e aprovadas que revelem a alquimia do sucesso, com certeza se frustrará.

Os que procurarem nestas páginas palavras de ordem, frases feitas por colecionadores de conceitos teoricamente bem construídas ou máximas de pirotécnico efeito moral, também julgarão a leitura inconsistente, inútil.

Resignação diante de barreiras que parecem intransponíveis e alento produzido pelo conformismo diante de eventuais fracassos tampouco caberão aqui.
Enquanto escrevo, sigo lutando, enfocando meu cotidiano, recolhendo da memória experiências que considero vividas diante de outros olhos, olhos de quem não vê.
Feche os olhos para ver melhor, em seu obviamente contraditório título, quer instigar, pretende ressaltar que, na vida, há sempre mais de dois caminhos. Descortinar o que pode estar oculto por tanto ruído, tanta imagem…

Obstáculos que se transformem em alavancas, deficiências que estimulem o desenvolvimento de capacidades ignoradas, reações diferentes das que costumamos ter diante do que nos amedronta ou constrange, esses serão, para mim, elementos indispensáveis na elaboração deste livro.

Faz cinqüenta anos que vim ao mundo e me ocorre agora uma alegoria bastante expressiva: uma flecha desferida pela vida num arco bem retesado, em que a madeira representa minha cegueira de nascença e o elástico, fonte do impulso, todo o amor e a fé com que minha família me preparou.(…)

Assim é que, por meio das bases de minha convivência, fui levado gradativamente a pensar sempre no melhor, a confiar mais em finais felizes do que em trágicos desfechos.(…)

É conveniente que nos lembremos de que cada um de nós ao nascer já é resultado de criteriosa seleção natural onde um único espermatozóide, em meio a 250 mil, tem de nadar em um ambiente ácido e hostil uma distância que corresponde a cerca de quatro quilômetros até se fundir a um óvulo que o aguarda apenas durante três a quatro dias por mês.(…)

Desde os mais remotos tempos que nossa história alcança, no Oriente ou no Ocidente, o poder, a riqueza de poucos, foi obtido pela miséria de muitos. Na força das armas, das conquistas continentais e dos grilhões religiosos, fixaram-se por séculos e séculos as diferenças sociais, culturais e políticas.

Acontece que estamos agora vivendo um momento definitivamente especial, uma curva evolutiva: em menos de trezentos anos avançamos e assumimos condições de vida radicalmente diversas das que a humanidade conhecia.(…)

Informação, eis a palavra chave. Foi o século XVIII, com suas primeiras máquinas, com as novas e contestadas descobertas científicas, o grande demarcador histórico, o início dessa curva evolutiva.

Aos poucos, com a expansão dos meios de comunicação, foi possível acessar e trocar informações de todas as origens para todos os destinos.

O tempo se encolheu em viagens supersônicas e já nos aventuramos na pesquisa de planetas vizinhos.

A Internet torna-se um sistema cada vez mais complexo e capaz de transmitir dados; já não há mais como controlar o tráfego de informações, encerrá-lo em bibliotecas da nobreza ou nos nichos eclesiásticos.

Quis que fizéssemos essa reflexão, ainda que superficial, apenas para compreendermos melhor a importância deste momento no futuro de cada um de nós. Nossas responsabilidades como indivíduos cresceram, pois somos agora mais capazes de mudar o mundo do que éramos trezentos anos atrás. Será que isso é por acaso?

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