"Época" entrevista Christiane Collange
Nosso livro A segunda vida das mulheres foi pauta da revista Época (dez.2007) que publicou um interessante entrevista com a autora francesa Christiane Collange, de quem publicamos também Nós, as sogras.
A SEGUNDA VIDA DAS MULHERES
27/12/2007 – 11:03 | Edição nº 502
Kátia Mello
A escritora francesa Christiane Collange, em entrevista a Época, responde importantes questões sobre como as mulheres podem enfrentar e superar os problemas que acompanham a chegada da meia-idade. A autora de 16 livros é conhecida por ter chegado aos 75 anos sem ter feito nenhum plástica. O mais recente livro editado no Brasil é “A segunda vida das mulheres”, publicado pela Sá Editora. Confira o bate-papo entre Collange e a jornalista Kátia Mello.
ÉPOCA – Em um de seus livros você afirma que não existe exatamente uma crise de meia-idade. Então qual seria a explicação para algumas mulheres se queixarem quando atingem os 50 anos?
Christiane Collange – Você acha realmente que elas se queixam quando estão com 50 anos? Eu acho que elas também se queixam quando têm 40 anos e muitas delas ficam muito tristes quando não estão mais na faixa dos 20 anos! Todas as mulheres odeiam ficar mais velhas. Elas lutam uma guerra desesperada contra o avanço da idade e é muito depressivo lutar uma batalha que certamente será perdida!
ÉPOCA – O que faz com que a mulher tenha uma boa segunda vida?
Christiane – A melhor maneira de ter uma segunda vida feliz é decidir que esta parte da sua existência será diferente da primeira parte da sua vida. A inexistência de crianças pequenas dará uma fantástica liberdade para fazer coisas que você não tinha tempo antes. Se você esteve se dividindo o tempo todo entre cuidar das crianças e crescer profissionalmente, você pode enfim encontrar um novo ritmo menos estressante. O outro ponto é ser alguém por você mesma e não apenas dependendo das vontades, do dinheiro, do desejo sexual e do status social do homem. Você também tem que admitir que não está mais “jovem” fisicamente, mas que pode ser encantadora, amorosa, atrativa e bonita por saber quem você é. O importante é ter consciência que você não é mais jovem.
ÉPOCA – Como mulheres entre 40 e 50 anos devem se preparar para garantir a independência financeira dos maridos e dos familiares?
Christiane – É tarde demais se você começou a pensar aos 40 em ser financeiramente independente. Independência deve começar quando se é mais jovem, para ser educada, para ter um diploma universitário e para escolher uma carreira para o resto da sua vida. Você também pode ser muito rica se tiver nascido em uma família rica, mas isso não é uma escolha individual!
ÉPOCA – Você afirma em um de seus livros que as mulheres tem o direito de serem egocêntricas. Você poderia explicar melhor esta afirmação e dar alguns exemplos?
Christiane – A maioria das mulheres nascida em meados do século XX foram educadas com a idéia de que uma “boa” mulher deve ter um alvo na vida: fazer seu marido e suas crianças felizes, independente das dificuldades e das desilusões. Ninguém nunca disse a elas que deveriam também cuidar dos seus próprios desejos e vontades. Nesta segunda vida deve-se aprender que a única pessoa que pode realmente ajudar as mulheres a encontrarem encanto na vida são elas mesmas. É difícil, mas é importante inclusive para o bem-estar da família e para o futuro do casal. Apenas humanos satisfeitos podem dar felicidade para outra pessoa!
ÉPOCA -Como uma mulher na meia-idade enxerga seu próprio corpo? Como você analisa esta tendência brasileira das mulheres fazerem cirurgias plásticas?
Christiane – Na França eu tenho sido conhecida como a “Joana D’Arc anti-lifting”, que explica por que eu nunca fiz uma cirurgia plástica! Eu poderia escrever um longo artigo (e inclusive um livro) sobre o assunto, mas eu realmente não tenho tido tempo esses dias!
ÉPOCA- Como as mulheres devem lidar com o ninho vazio?
Christiane – Pessoas sempre consideram que mulheres ficam desesperadas quando seus filhos crescem. Pela minha experiência adquirida durante entrevistas de muitas mulheres modernas elas freqüentemente dizem que é também um alívio. Não se esqueça que quando os filhos crescem, deixam de ser criança e passam a ser adolescente, freqüentemente a relação com os pais se torna muito difícil. A síndrome do ninho vazio pode ser também um alívio quando você tem tempo para viver sua própria vida em vez de devotarem seu tempo a jovens muitas vezes egoístas. Isso vale também para as mulheres que se casam pela segunda vez na segunda vida, que está se tornando cada vez mais freqüente com o alto índice de divórcio na sociedade atual.
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