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ELIANA SÁ ABRINDO AGENDA PARA PALESTRAS DE DIVULGAÇÃO DA LEITURA

ABRINDO AGENDA PARA PALESTRAS DE DIVULGAÇÃO DA LEITURA ouvindo o leitor que há em cada um, criando coletivamente, este o espírito das OFICINAS E PALESTRAS que a editora Eliana Sá, da Sá Editora,  conduz para crianças, jovens e adultos.

“Em nossas oficinas e palestras, falamos de leitura desde o Braille ao Digital, da história do livro e de como a Leitura, em qualquer suporte, papiro, papel, tela de tablet, faz parte da história social da Humanidade, pois é ela que transmite o conhecimento de geração a geração, ” diz Eliana Sá, uma profissional com mais de 30 anos de carreira como editora, proprietária de editora e autora de livros.

As oficinas e palestras podem ser formatadas para idades e públicos de tamanho variado, também em sua duração. 
“Estamos abrindo agenda para este ano para feiras, escolas, instituições, condomínios. Fale conosco!”

 

APP com historinhas para aprender idiomas: parceria da Sá Digital com a Dualpixel

VEM AÍ O PRIMEIRO APP DA SÁ DIGITAL com historinhas em versões para três idiomas.

NA PONTA DA LÍNGUA é fruto de uma parceria da Sá com o Felipe Santos/Dualpixel. Nossa ideia é dar uma experiência de leitura pra criança, pais e professores fornecendo os textos com uma plataforma própria da editora. Você vai poder ler com qualidade no celular, no tablet. 😃 Tá quase lá!

EDUCAÇÃO PARA O TRÂNSITO COM A FAMÍLIA DE PATINHOS

PATINHOS QUE ENSINAM A TOMAR CUIDADO COM O TRÂNSITO Os patinhos vêm à cidade visitar um primo e não conhecem nada sobre o trânsito e como andar na rua, o que pode e o que não pode fazer. Imagine a confusão! Este texto, em forma de poesia, fala sobre as regras e limites do trânsito. Explica à criança como existem limites para motoristas e pedestres, etc. Também dá os primeiros ensinamentos sobre sinalização de trânsito urbano.
Nas livrarias digitais, preço médio 9,90

A caixa de Pandora – lançamento em e-book da Sá Editora

O clássico mito de Pandora que vem encantando adultos e crianças através da história. Uma caixa que contém as dores do mundo, mas também traz a mensagem da Esperança. Texto de Eliana Sá e A caixa ilustrações coloridas de Mariana Basqueira.

Preço: R$9,90

Você pode encontrar o livro aqui http://www.amazon.com.br/caixa-Pandora-grego-recontado-crian%C3%A7as-ebook/dp/B015YAABE0/ref=sr_1_1?ie=UTF8&qid=1443969635&sr=8-1&keywords=A+caixa+de+pandora

ELIANA SÁ: DA TRADIÇÃO DOS CANTADORES AOS LIVROS INFANTIS post do site “”Histórias do livro”

Eliana Sá autografando A BOLSA NOVA DA LILI em Fortaleza/V Feira do Livro Infantil
Eliana Sá autografando A BOLSA NOVA DA LILI em Fortaleza/V Feira do Livro Infantil

Todas as madrugadas o cheiro forte de tinta impregnava a casa, deixa da chegada do pai, cujo trabalho carregava debaixo do braço e muitas vezes, mesmo tão tarde, passava imediatamente para o chão da sala, onde era aberto pela filha mais velha. Antonio Moreira Albuquerque, editava dois jornais em Fortaleza (CE). Um deles, o Correio do Povo, fundado em 2/3/1915 por Álvaro da Cunha Mendes, em 1937 passou a integrar o grupo Diários Associados. Antonio trabalhou ali de 1950 até 1967, quando se mudou com a família para São Paulo.
“O cheiro do jornal fresquinho era o cheiro do meu pai, aquele cheiro de tinta, e me lembro de botar o jornal no chão e ficar tentando ler, e ali aprendi a ler”, conta a editora Eliana Sá, que, a despeito das recomendações, para não dizer proibição do pai, tornou-se jornalista, passou por grandes editoras, como Abril e Globo, e atualmente está à frente da Sá Editora.

Nascida em Fortaleza (CE) em 1951, Eliana conta que em sua família a leitura era muito valorizada, e seus pais tinham uma biblioteca grande, porque compravam e ganhavam muitos livros. Até hoje guarda a coleção “Tesouro da Juventude”, que diz ter lido, relido, “trilido”. Em seguida, veio a coleção de Monteiro Lobato, “que foi ma-ra-vi-lho-so”, e aponta para o volume “O Minotauro” no alto da estante, diante da escrivaninha de trabalho em sua casa na Zona Sul de São Paulo, um volume já sem capa, amarelecido. “Acho que o grande fator foi Monteiro Lobato. Como ele ampliou a imaginação da gente e pudemos sonhar com tudo!”

Nesta postagem, fala de sua formação em Fortaleza, da proximidade com os cantadores, da influência dos livros da biblioteca paterna e daqueles que a mãe escondia, de sua formação e dos primeiros anos da carreira.

Uma biblioteca proibida no closet
Mas essa fartura de livros não era sua única fonte de leituras. Sua mãe, funcionária pública, começou a “reservar” alguns livros em seu closet, “porque dizia que não eram livros para criança”, o que não adiantou muito, porque, “quando saía para trabalhar, invariavelmente eu passava as tardes no closet. Um dia ela me pegou lendo Madame Bovary e foi um escândalo: ‘Mas o que é isso, não pode ler isso, não’”. De Flaubert Eliana saltou para livros de Júlio Ribeiro, como A carne e Girândola de amor, alguns dos “proibidos” dos quais se lembra até hoje. “E a leitura pode ter ficado para mim como uma coisa proibida e como forma de subversão, porque era como eu me escondia, e quando me diziam que não podia ler algo, ia lá e lia, lia, lia, lia…”

Outra grande razão para ler foi seu irmão Sérgio, um ano e pouco mais novo, que nasceu cego. “Acho que isso foi uma das coisas importantes que me levaram para o livro, porque as brincadeiras com ele eram sempre intelectuais. A gente não podia sair correndo, brincar na rua, tinha de brincar em casa, e de certo modo meu refúgio era ler. E ele me pedia para ler em voz alta”, tarefa que ela desempenhava mais ou menos. “Eu lia um pouco em voz alta, mas ficava cansada, aí lia outra parte silenciosamente e, quando retomava, ele me dizia: ‘Você perdeu um pedaço’, e eu dizia que não, porque era cansativo”. Então ela emendava a história do que jeito que dava, para evitar mais protestos fraternos, e continuava de onde tinha parado.

Além da leitura, essa também foi a época de começar a escrever. Primeiro um romance, depois muita poesia, pois tem facilidade para fazer rima, uma influência que credita à proximidade dos cantadores. Seu pai era muito amigo de autores regionais, numa época em que a imprensa se nutria muito da cultura local, e “eu estava lá na terra de Raquel de Queiroz, José de Alencar, de muitos cearenses famosos, ainda que grande parte morasse fora do estado, tivesse se mudado para o Rio de Janeiro. O Ceará tem uma tradição cultural muito forte, havia a Padaria Espiritual [homenageada na Bienal do Ceará, cartaz à dir., abaixo], e meu pai publicava esses autores, nós os conhecíamos. Havia também o Silveira Sampaio, que escreveu sobre a história do Ceará, e íamos muito à casa dele, onde havia tertúlias. Conhecemos Cego Aderaldo [à esq.], os grandes contadores e gosto muito de fazer rima. Tenho muita poesia em rima, porque gosto e tenho facilidade.” “Também cheguei a conhecer os primórdios de compositores como Fagner, com os quais convivia porque eram mais ou menos da mesma faixa etária.”

Outro autor que a encantou foi o maranhense Humberto de Campos, presente entre os livros do pai e no closet da mãe, muitos dos quais ela herdou.

“Adoro uma rima”
Entre os vários cursos que fez em Fortaleza, estava o de declamação. “Ia à casa da professora uma vez por semana e ela nos ensinava também o gestual. Decorávamos as poesias e alguns meninos eram excepcionais e declamavam na festa da igreja. Isso nos aproximou da poesia, porque a gente as procurava para decorar. Acho que isso dá expressividade à criança. Eram coisas tradicionais da época: piano, declamação, inglês, dança de salão”. Lá pelos 12-13 anos ela começou a estudar espanhol e inglês, porque gostava de idiomas. “Eu estava sempre no entorno do livro. Mesmo durante a faculdade li muitos romances, morava perto do Jardim da Aclimação e passava muito tempo lá, lendo.”

Em 1967, já no fim da adolescência, a família veio para São Paulo, para proporcionar uma educação melhor para seu irmão, pois aqui havia mais recursos, mais livros em braille e mais colégios onde ele poderia estudar.

“Acho que também foi bastante importante para mim estudar em colégio público, estadual, onde havia uma boa biblioteca, que eu frequentava, como fazia no Ceará. Lá, a igreja do meu bairro tinha uma biblioteca muito boa. Eu tirava livros emprestados, como se dizia. Na biblioteca do colégio também pegava muitos livros de poesia. Além disso, em 1968, o Jornal da Tarde começou a publicar poesia no lugar das notícias censuradas, poemas de Cecilia Meireles, Carlos Drummond de Andrade [à dir. caricatura de Renato Stegun], e eu lia, até porque jornal continuou sendo comum em nossa casa. Houve uma época em que li muito Manuel Bandeira. E tive um professor de português excelente, para quem levava meus poemas para ele ler e criticar e isso foi muito bom.”

“O medão da análise sintática”
Em São Paulo, ela estudou no colégio Ascendino Reis, no Tatuapé, Zona Leste da cidade, onde fez o Nornal. “Vim com aquela formação do Ceará. Na época as opções eram Clássico, Científico ou Nornal, e eu queria fazer o Clássico, mas o colégio que oferecia esse curso era muito longe, então comecei o Normal, que continuei e terminei aqui. Tive professores excepcionais, como o Sergio, que nos dava análise sintática. Toda aula tinha chamada oral e dava um medão. Só depois fui ver o quanto a análise sintática é importante para redigir bem, falar bem. Você tem uma dimensão da frase, das palavras. Louvo muito, aprendi muito com ele.”

Ter feito o Normal, segundo ela, não acrescentou nada em relação a pensar a criança. O mais importante mesmo foi a leitura, de Monteiro Lobato e dos romances. “Gostava de ler livros grandes, até hoje não gosto muito de contos, prefiro romances, novelas, com muitos personagens, muito enredo, histórias compridas, e me lembro que selecionava livros pelo tamanho.” Hoje, diz, sua biblioteca é misturada, com muita coisa de sociologia, porque seu marido é sociólogo, além da bibliografia sobre livros, como A arte de tratar o livro [Jayme Castro, Sulina, 1969], “um clássico”.

Quando terminou o colégio, queria fazer jornalismo, mas seu pai foi contra, achava que não era profissão para mulher: “Ele era extremamente conservador”, então contornou a situação e disse que entraria na Escola de Comunicação e Artes (ECA) na USP, e faria outro curso. “De fato entrei na ECA e o primeiro curso que fiz foi Editoração. E ali já comecei a sonhar em ter minha própria editora.

Na ECA, onde também fez jornalismo, o curso de Editoração foi importante por dar um respeito ao livro e permitir compreender sua história. “Acho que a universidade não dá os recursos práticos para o trabalho, não ensina uma metodologia do trabalho, mas você aprende a respeitar o livro, porque havia uma discussão filosófica, estética, de conteúdo, de aprofundamento da cultura. “Fiz muitas disciplinas e cursos, como o de cinema com Paulo Emilio Salles Gomes; de história da arte com Aracy Amaral, para quem fiz um trabalho sobre o Barroco em São Paulo, bem legal, e tive de pesquisar todas as igrejas barrocas da cidade e outro sobre o Concretismo; tive aulas com Alberto Guzik, que me fez me apaixonar por teatro; várias matérias nas Ciências Sociais, onde tive aula com Lúcio Kovarick, sobre a questão social; na Pedagogia fiz aulas de licenciatura; participei do grupo de teatro da ECA com Cacá Rosset, Mirtes Mesquita [à dir.] e Mario Mazetti, entre outros; participei de um grupo de filosofia; fiz fotografia com um excelente professor; cantei no coral da ECA, regido por Klaus Dieter-Wolff, fui do Centro Acadêmico, onde cuidava do Departamento de Música, participei de uns concursos de poesia, bem interessantes”, além de ser monitora de História da Comunicação por um ano. “Vivi intensamente esses anos de ECA, fazia Editoração à tarde e Jornalismo de manhã.” No entanto, ao terminar Editoração, quando só faltavam 5 matérias para se formar em Jornalismo, época em que começou a trabalhar na Abril, não pôde. “Queria fechar o jornalismo, o que profissionalmente era importante, mas, quando fui fazer a matrícula, por já ter concluído um curso, fui proibida. Mesmo faltando 5 matérias me disseram que eu teria de prestar novo vestibular. Um absurdo! Mas fiz nova prova, passei e fui direto para o último semestre, fazer aquelas 5 matérias e concluí o curso à noite, que não foi tão rico, tão importante, porque já estava trabalhando, o que muda muito o nosso horizonte.”

Depois de uma rápida passagem, de sete meses, pela Dow Química, em 1975, Eliana começou a trabalhar fazendo revisão para editoras, uma tradução de livro infantil para a Editora Abril, e depois foi para a área de imprensa de uma grande empresa. “Em seguida, procurando trabalho, encontrei um colega que estava saindo da Abril e me ofereceu o lugar dele nos infantis.” E lá ficou de 1975 a 1981, onde encontrou a equipe de Ruth Rocha e Sonia Robatto [à esq., que faziam a Recreio e uma série de publicações da Abril, “fortíssima naquela época. Havia a Disney, não fazíamos os quadrinhos, mas todos os subprodutos ou produtos licenciados, os fascículos para crianças e os livros ilustrados, com histórias recontadas”.

A grande contribuição ao livro infantil
“Comecei na edição executiva da Recreio, então era por mim que passavam as histórias de autores que estavam começando, como Ana Maria Machado, Joel Rufino, Bartolomeu Campos de Queiros [à dir.], Sylvia Orthof, e ilustradores, como Alberto Linnares, Carlos Brito, gente sensacional, responsável pelo salto que houve na edição de infantil, no tratamento do infantil no Brasil.” Nessa fase, fim dos anos 1970 e começo dos 1980, Eliana acredita que foi quando o livro infantil saiu do que chamou de “aquela antiguidade” e voltamos a ter mesmo os ares do trabalho de Lobato.

“Tenho uma história muito interessante: a Ruth Rocha era minha chefe, escrevia para a Recreio, e um dia encontrei a Cecilia Reggiani Lopes, da Global, que tinha sido minha colega na ECA, onde já editavam infantis [na ocasião da entrevista Cecilia ainda trabalhava nessa editora], e em 1976, acho, sugeri: ‘Escuta, tenho uma chefe que escreve superbem. Por que você não publica um livro dela?’ Ela disse então que queria conhecê-la, foi à editora, as apresentei, e o primeiro livro que a Ruth publicou foi com a Cecilia, na Global. Fui a ‘apresentadora’ da Ruth Rocha para o mercado, e até hoje temos um relacionamento muito grande. [Sobre esse episódio, Cecilia [à esq.] comenta que Eliana lhe indicou vários autores para um projeto que ela desenvolveu para a Editora Nobel, “que era muito bom, mas que não foi pra frente”. Mais tarde, “publiquei quase todos os textos selecionados para aquele projeto, e todos os autores, o que foi essencial para seu desempenho como editora”.]

Foi nessa fase que Eliana começou a escrever, porque a Recreio permitia umas interferências, assim como para outros produtos da Abril, que não podiam ter só brinquedo, precisavam de um texto para serem considerados produtos editoriais. Também escrevia textos para quarta capa. “Nessa época acho que o mercado tinha muito mais oportunidades para escritores freelancer, para trabalhos como frila, havia um movimento vibrante na editora.”

Conntratada para fazer pesquisa e coordenar a Recreio, Eliana lembra que era responsável pelo fechamento da revista, trabalhava as histórias com os ilustradores, e “depois inventei de fazer uma reportagenzinha na revista, criava e montava as atividades de acordo com a história, era uma revista que, embora quinzenal, dava muito trabalho. E também havia os outros produtos, fascículos de “Brinquedos e Brincadeiras”, “Destaque&Brinque” e “também criei o nome ‘Eu que fiz’. Era uma maravilha lidar com esse material, com todos esses autores, foi uma revista que revolucionou a área, a escola.” Entre os vários exemplares que tem em casa, mostra aquele em que há “O consertador de bonecas”, “uma das muitas matérias que fizemos. Às vezes eu ia até o Rio de Janeiro, a Sylvia Orthof [à dir.] trabalhava direto com a gente. Fizemos matérias sobre atores, protagonistas entre as crianças, e isso era muito bacana, tornar a criança protagonista da revista, uma coisa interessante que a Recreio fazia e deixou muitas marcas em mim.”

A saída da Recreio, em 1981, ocorreu porque a Abril interrompeu sua publicação, então Eliana foi desenvolver projetos de paradidáticos para a Melhoramentos e para a Rio Gráfica. Fez um pouco de reportagem, livros infantis, coleções, como “Animais do Frio”, “Minha Primeira Biblioteca”, traduzida para o português de Portugal, “aí fazenda virou quinta [risos], exportados para vários países”, o que lhe deu grande experiência em redação. “Eu pesquisava e redigia sobre os mais diversos assuntos, para livros sobre fogo, passarinhos, eram livros pequenos, de capa dura, e o mais importante: produção nacional. Porque hoje o Brasil compra muitos livros em detrimento do autor nacional, do profissional brasileiro. Muitas vezes você quer trabalho, mas é mais barato para as editoras comprarem o livro pronto no exterior, traduzir e imprimir lá fora, o pacote já vem pronto. Nessa época fazíamos tudo, o desenhista era nacional. Dessa coleção só alguns títulos foram comprados; havia muitos nacionais, como ‘Um problema chamado coiote’, de Ana Maria Machado, vários do Flávio de Souza, ‘que eu adoro’, de Sonia Robatto, Edy Lima [à esq., abaixo], a coleção ‘Jogos e Passatempos’, que agora está voltando, até para adultos, textos de Marina Colasanti, ilustrações de Piero Dante, Rogerio Borges…”.

Ainda na Abril trabalhou dois anos (1980-82) na revista Manequim, experiência que considera muito relevante, porque foi onde pôde ver como é importante sua “cearensês”. “Ali eu trabalhava para a mulher do sul do Brasil, e na redação havia a escolha do repertório, e acho que pelo fato de ser de outro estado, de outro território, podia avaliar as palavras muito melhor, trabalhar com mais elementos. Foi nessa época que as novelas começaram a fazer muito sucesso em todo o país e comecei a perceber a pasteurização que o Brasil sofreu, e pude valorizer o fato de eu ter nascido em outra cultura, quer em termos de repertório, quer de visão de mundo, porque, a princípio, quando cheguei, tinha um sotaque do qual todo mundo ria. Era meio assim: ‘Ah, você é baiana, né?’. E eu tinha de explicar que não tinha nascido na Bahia, que era cearense, às vezes era até cansativo, e acabei até tentando mudar meu sotaque para não ser tão notada. Depois foi que percebi o quanto minhas referências eram importantes, e deveriam ser, se constituir mesmo em algo valorizado”.

A Manequim, embora Eliana reconheça que não era de seu agrado, foi importante porque ali se trabalhava muito com “a dinâmica da diagramação da página. Por ser uma revista sobretudo para ser vista, onde o texto é só um complemento, ele tem de ser milimetricamente posto na página para não atrapalhar a roupa. Era tudo muito rígido: tínhamos tantos toques para um título, tantos toques para uma legenda, e tudo tinha de ser obedecido com rigor. Não é como hoje que se resolve tudo no computador. A revista era diagramada na mão, havia past-up. Um título com 14 toques tinha de ter 14 toques, nem mais, nem menos, e a gente ficava horas para criar bons títulos, porque precisava dar várias opções ao chefe de redação. Aquilo não acabava nunca, noites a dentro, se fosse o caso. Todas as redações eram extremamente rígidas e todo um código de trabalho específico, o que considero muito positivo. Nunca trabalhei numa empresa que profissionalizasse tão bem como a Abril. Com isso se aprendia muito, tinha-se de ‘pastar’ para fazer um texto, tinha-se de desenhar o texto na página, completar as informações, era uma tarefa muito boa e onde aprendi a lidar com texto.”
Nesse mesmo período (1980-82), Eliana foi professora de Iniciação à comunicação e Editoração na Universidade Anhembi-Morumbi, a segunda escola em São Paulo a ter um curso para os profissionais da área editorial.

Depois da Manequim, foi para a Abril Cultural, fazendo Sabrina, Bianca, Julia, livros de banca, outro aprendizado que considera sensacional. “Os livros eram traduzidos, eu era editora, havia vários tradutores frilas, e tinha de fazer o fechamento, dando leitura para os textos. A equipe toda era sensacional e foi onde aprendi a copidescar, a cortar sem dó, nem piedade, cortar ou reescrever parágrafos inteiros. Havia quem praticamente reescrevesse o livro todo, porque eles vinham numa linguagem muito inglesa ou americana, inadequada ao público brasileiro. E a gente trabalhava muito, transformava, apimentava as cenas de sexo. Nossa tarefa também era dar titulo e escrever textos de quarta capa, que exigiam um poder de síntese danado, muito grande, para serem vendedores, tanto quanto os títulos, que reinventávamos. As vendas desses livros eram um fenômeno: fazíamos 8 livros por mês, fechávamos 2 por semana, era uma loucura. A equipe era grande, com 6 editores, 10 revisores, cada editor tinha seu revisor, havia uma sala de editores, outra de revisores, trabalhando o dia todo, sem parar, em cima dos textos. Os tradutores mandavam aqueles bolos de laudas que copidescávamos, depois passávamos para a equipe de datilógrafas que nos devolviam e tudo era revisado de novo. Também havia o pessoal da composição. Esse trabalho era muito pesado, desgastante, porque os textos não tinham diferença, sempre a mesma trama: num a moça ia embora para outro país, no outro havia uma traição, uma amante no meio, sempre a mesma coisa. Aquilo foi me cansando e a qualidade era muito baixa, também. Acho que eu estava acostumada a lidar com coisas melhores e depois que se aprende como fazer, a mecânica de cortar, trocar trechos de lugar, emendar etc., a gente cansa. Depois de um ano estava louca para sair.”

E conseguiu: encontrou uma amiga que trabalhava na Duratex e a chamou para o marketing da empresa, onde ficou um ano. “Também foi ótimo porque trabalhávamos com as melhores agências de publicidade do mercado, como a DPZ”. Ali ela diz ter aprendido a falar, com vários públicos: o especializado da própria empresa, o interno, o externo, os revendedores do produto. Além disso, nessa ocasião, a empresa estava fanzendo um reestudo de logotipia e ela pôde acompanhá-lo, ver como lidaram com o tradicional rinoceronte.

CRICS – uma revista teen
Desde sua saída da Recreio Eliana tinha um projeto de uma revista para adolescentes, porque achava que essa era uma lacuna no mercado. Então, escreveu o projeto e com uma amiga, da área de publicidade, que compartilhava da mesma opinião, encontraram na Lastri Gráfica um sócio e parceiro.

Crics durou durou de abril de 1985 a novembro de 1986, era mensal, de caráter jornalístico, com entrevistas, reportagens, e “sem sexismo, o lance era tratar os adolescentes como protagonistas, mostrar quem eram os bambambãs nas várias áreas, com notícias sobre política, sobre os grandes profissionais, desde Laerte até Claudia Raia, que eram entrevistados pelos teens, com uma pauta que nós montávamos. Nessa época quase não havia anúncios para esse público, e essa foi nossa grande dificuldade”.

Um dos publicitários que trabalharam com a revista foi o Washington Olivetto, “que percebeu a novidade e fez a campanha de lançamento da CRICS, que chegou a vender 40 mil exemplares/mês. “A revisa era linda, mas o custo de produção, muito alto. Entrevistamos Rubinho Barrichello, que ainda corria no kart, e decidimos patrociná-lo. Entrevistamos muita gente em começo de carreira, como Lobão, Glauco… era um ótimo projeto, mas acabou quando a Lastri decidiu sair e não conseguimos patrocinadores, até porque o mercado estava começando a pensar anúncios para adolescentes. Logo em seguida, a Abril copiou minha revista e lançou a Super Jovem. Hoje quero digitalizá-la, porque muita gente pede.” Outro desafio, diz Eliana, era chegar à linguagem do jovem, falar para eles. “Quando acabou em meados de 1988, a tristeza foi grande. A CRICS foi uma experiência e tanto.”

Na próxima postagem, Eliana aborda seu trabalho na Editora Globo, onde ganhou 10 Prêmios Jabuti; seus livros, a participação em feiras internacionais, a criação de sua editora e as perspectivas do mercado.

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http://didabessana.wix.com/historiasdolivro#!ELIANA-SÁ-DA-TRADIÇÃO-DOS-CANTADORES-AOS-LIVROS-INFANTIS/cy8f/55bf1b2a0cf27acb2d8f91a5

 

Oficina de leitura com Eliana Sá, autora de livros infantis

oficina com crianças

A autora Eliana Sá, da Sá Editora, criou uma dinâmica simples e divertida para dar a oficina de leitura e criatividade para grupos. Podem se juntar pessoas de idades variadas, crianças, jovens, professores, pais, etc, em grupos pequenos e grandes

UMA HISTÓRIA COLETIVA – a dinâmica começa com a autora falando sobre seu processo criativo, o uso da imaginação, que todos têm, da criatividade, também uma capacidade que todos podem desenvolver. Imaginar uma história, um conto, um romance, os personagens, a ação da história, o desenvolvimento, a conclusão.

Depois, ela distribui as cartas com imagens entre os participantes e inicia a dinâmica apresentando sua carta e começando a história. Depois, um a um, os participantes são convidados a continuar a história do ponto no qual seu “vizinho’ parou, sempre se apoiando na imagem que aparece na carta que ele tem na mão.

O resultado é sempre criativo e divertido, com o grupo interagindo bastante. Um auxiliar pode ficar responsável por documentar a história, escrevendo enquanto o grupo trabalha.

gt oficina

Distribuindo as cartas para as crianças e formando a roda…

O resultado é sempre criativo e divertido, com o grupo interagindo bastante. Um auxiliar pode ficar responsável por documentar a história, escrevendo enquanto o grupo trabalha.

Material necessário:  cartas que têm figuras estampadas, diferentes, coloridas e bem marcantes, Eliana Sá criou um “baralho”, com 50 cartas.

Duração: em torno de 45 minutos, depende do tamanho do grupo; a história pode ser “refeita”; se o grupo for menor, distribuem-se mais cartas para cada participante.

A autora funciona como animadora e “elo” que forma a corrente da criação da história coletiva.

Contato com a autora para informções e consultas sobre agendamento de oficina: elianasa@saeditora.com.br

Eliana Sá: pra quem ama literatura infantil

Eliana SáEliana Sá iniciou sua carreira na revista RECREIO, década de 80. Já publicou vários livros, entre eles: DONA GALINHA E O OVO DE PÁSCOA, UM AMIGO NA CAVERNA (Scipione), UM ÔNIBUS PRA LUA, A BOLSA NOVA DA LILI, PINGUIM DE MOCHILA, O CAVALINHO VERMELHO DO CARROSSEL, O PEIXINHO MEDROSO (Sá), etc.
Eliana Sá nasceu em Fortaleza, no Ceará. Seu pai era jornalista e sempre trazia jornais fresquinhos para casa quando voltava de madrugada do trabalho. Ela conta que acordava de manhã e fi cava tentando decifrar as manchetes, e foi assim que aprendeu a ler, aos cinco anos.
Desde então não parou mais…
Virou uma grande leitora de Monteiro Lobato, gibis e livros de aventuras, e começou também a escrever poesias e romances em seus cadernos. Sua família se mudou então para São Paulo, onde estudou jornalismo e editoração e conseguiu seu primeiro emprego, na revista Recreio, onde Ruth Rocha era sua chefe e ela preparava joguinhos e escrevia histórias.
Depois, passou a trabalhar em editoras, ajudando outros autores a preparar seus livros, e acabou publicando os seus próprios, como “Dona Galinha e o ovo de Páscoa” e “Meu primeiro livro de poesias”.
Atualmente, Eliana desenvolver um trabalho em livros digitais para crianças –os livros estão no Kindle, no Kobo, na Saraiva, na Livraria Cultura e em bibliotecas digitais, como a Nuvem de Livros e a Leiturinha.

 

 

 

 

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Na Amazon/página de autora

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Na Sá Editora

www.saeditora.com.br

Duas séries de livros encantadores em versões para várias línguas! Este projeto quer ajudar seu filho a ser bilíngue!

Com estes livrinhos divertidos, a ideia é que vocês leiam a mesma história em várias línguas para treinar e aprender. A autora Eliana Sá escreveu várias historinhas deliciosas e suas versões para Inglês, Espanhol e Português, Alemão. Assim, fica mais fácil  ser bilíngue acompanhando as aventuras dos personagens. Experimente! Todos os livros estão em formato digital, à venda no mercado. Os livros em português também estão disponíveis em versão impressa nas melhores livrarias.

Série Carrossel 

c781e048-df04-4c00-8a37-bed948f5e47aPinguim de mochila

Durante uma visita ao zoológico, uma menina acaba ajudando um pinguim a sair de uma fria… Ilustrações bem coloridas e atraentes para um texto divertido, especialmente recomendado para crianças a partir dos 3 anos de idade. Na escola: o professor pode falar de bichos, de temperatura, de quente e frio, de amizade

 Backpack penguin
Ann creates a fashion trend around here and is a hit in the South Pole! A light and humorous text, recommended for 3 year olds on. The illustrations are attractive and colorful. Subject-matters are always very close to the world of children. Parents and teachers are able to read and tell the story when their kids can’t read yet. Each page of this book is an invitation to the imagination.8c10a9b5d8ce4883c99c93256774dd07f80f65e6

Pingüino con mochila
¡Ana inventa moda por aquí e ya tiene éxito en el Polo Sur! Texto suave e alegre, indicado para los niños a partir de los 3 años de edad. Las ilustraciones atraen y tienen muchos colores. Los temas están siempre próximos del mundo infantil. Si los niños todavía no saben leer, los padres y profesores pueden leer y contar la historia.b2804e777a7c2a0ec258ac39fa0ad7bc0e1bf030

 

 

 

 

 

d07cbd75-719a-43ea-8346-319ffcc5b808O peixinho medroso
Imagine um peixinho que morre de medo de ir para escola de natação… Com esta alegoria, a autora fala de medos e inseguranças, tornando mais fácil conversar sobre esses assuntos com as crianças.

El pececito miedoso

La clase de natación es una delicia, pero… ¡qué se le va a hacer si este pececito se muere de miedo del agua! Texto suave e alegre, indicado para los niños a partir de los 3 años de edad. Las ilustraciones atraen y tienen muchos colores. Los temas están siempre próximos del mundo infantil.419df333e9eab5c13124335d724a6bf73388f8d2

The timid fish

Swimming classes are great… but what can be done when this little fish is terribly afraid of water? A light and humorous text, recommended for 3 year olds on. The illustrations are attractive and colorful.Subject-matters are always very close to the world of children.

the timid fish

 

 

 

 

 

o cavalinhoO cavalinho vermelho do carrossel

O cavalinho do campo e o cavalinho do carrossel do parque de diversões começam uma bela amizade… você nem imagina o que vai acontecer com eles! Um texto poético, falando da amizade e da cumplicidade entre amigos de verdade!

The little red horse on the merry-go-round

Finding out what good friendship is worth! A light and humorous text, recommended for 3 year olds on. The illustrations are attractive and colorful. Subject-matters are always very close to the world of children. Parents and teachers are able to read and tell the story when their kids can’t read yet. Each page of this book is an invitation to the imagination and knowledge.the littleel caballito

El caballito rojo del tiovivo
¡Descubriendo el valor de una buena amistad! Texto suave e alegre, indicado para los niños a partir de los 3 años de edad. Las ilustraciones atraen y tienen muchos colores. Los temas están siempre próximos del mundo infantil. Si los niños todavía no saben leer, los padres y profesores pueden leer y contar la historia. Cada página de este libro es como una invitación a la imaginación.

 

 

uma ponte

Uma ponte luminosa
Lenda chinesa tradicional explica a formação de uma constelação. Indicado para crianças a partir dos 3 anos de idade os pais podem ler para as crianças e conversar com elas sobre as imagens coloridas.

 A shining bridge
The constellations and the sky make us wonder and create nice stories! A light and humorous text, recommended for 3 year olds on. The illustrations are attractive and colorful. Subject-matters are always very close to the world of children. Parents and teachers are able to read and tell the story when their kids can’t read yet. Each page of this book is an invitation to the imagination.a shining bridge

Un puente luminoso
¡Las constelaciones y el cielo nos hacen imaginar y crear historias muy bellas!Texto suave e alegre, indicado para los niños a partir de los 3 años de edad. Las ilustraciones atraen y tienen muchos colores. Los temas están siempre próximos del mundo infantil. Si los niños todavía no saben leer, los padres y profesores pueden leer un puente

 

 

 

 

 

Série Bolsinha 

capa baixa-visualizacaoA bolsa nova da Lili
A história de Lili, que gosta de brincar com os objetos de casa e de se vestir com as roupas da mãe, mas sempre está em dúvida qual bolsa escolher para combinar com tudo e ficar bem chic. A questão de limites e de contenção é tratada com rara atenção e singularidade e vai permitir aos pais e professores uma abordagem desses assuntos com a criança de uma forma nova e divertida.

El bolso nuevo de Lili
Para niños a partir de tres años. Lo que ella quería de verdad era un bolso muy grande, donde cupieran también… sus amigos, la torta de banana de su mamá, su professora, sus padres, sus primos, su almohada, el pañito que usaba cuando era niña… Será que existia un bolso tan grande? el bolso

Lili’s new handbag
When her mother goes to work, Lili loves to play with her things. Dress up party clothes, the shoes, the jewelry sets. The problem is to find the right bag, the one that matches her clothes, and can fit so many desires. Eliana Sá explores the question of desire and its boundaries, helping to discuss with the child about dreams and fantasy, content and continent.

Novo! Versão em alemão
Lili’s neue handtaschelili ing
Capinha Lili ALEMÃO

 

 

 

 

 

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