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ÁFRICA:
UMA VIAGEM PELA FICÇÃO E PELO JORNALISMO
Em
junho de 1997, o jornalista português Pedro Rosa Mendes começou
uma viagem partindo de Luanda até Quelimane, na África.
O principal meio de locomoção foram "os restos
de caminhões", canoas, jipes e mesmo caminhadas. No
total percorreu 10 mil quilômetros. Mais que atravessar uma
terreno minado, cruzou um continente minado.
O relato de Pedro é cheio de dor e de medo. Ele lembra: "há
100 milhões de minas enterradas em 70 países do mundo,
e cerca de um décimo está em Angola. No Cuando Cubango,
onde se supõe que estão 45% das minas de Angola, são
elas a principal população. Gente smpre foi pouca,
e nesses anos tem morrido muita".
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O resultado
de quatro meses de viagem, anotações cotidianas, lembranças
que recolheu e 40 fitas-cassetes gravadas com entrevistas, sons
e músicas está no livro Baía dos Tigres um
sucesso em Portugal, que está sendo lançado no Brasil
pela Sá Editora/Edições Rosari.
Mas o livro não se resume apenas a um correto e sensível
texto jornalístico, como diz o escritor moçambicano
José Eduardo Agualusa: (
) "Ele constrói-se
a partir de histórias, narradas na primeira pessoa, de extraordinários
personagens que Pedro Rosa Mendes descobriu. Heróis anônimos,
habitantes dos limites da vida, e também monstros, estranhos
monstros, reinventando o horror no seu vasto território de
sombras."
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