O leitor que buscar neste livro a descrição
da trajetória de um homem bem sucedido, afortunado
e realizado em seus mais profundos anseios, um receituário
de fórmulas testadas e aprovadas que revelem a alquimia
do sucesso, com certeza se frustrará.
Os que procurarem nestas páginas palavras de ordem,
frases feitas por colecionadores de conceitos teoricamente
bem construídas ou máximas de pirotécnico
efeito moral, também julgarão a leitura inconsistente,
inútil.
Resignação diante de barreiras que parecem intransponíveis
e alento produzido pelo conformismo diante de eventuais fracassos
tampouco caberão aqui.
Enquanto escrevo, sigo lutando, enfocando meu cotidiano, recolhendo
da memória experiências que considero vividas
diante de outros olhos, olhos de quem não vê.
Feche os olhos para ver melhor, em seu obviamente contraditório
título, quer instigar, pretende ressaltar que, na vida,
há sempre mais de dois caminhos. Descortinar o que
pode estar oculto por tanto ruído, tanta imagem...
Obstáculos que se transformem em alavancas, deficiências
que estimulem o desenvolvimento de capacidades ignoradas,
reações diferentes das que costumamos ter diante
do que nos amedronta ou constrange, esses serão, para
mim, elementos indispensáveis na elaboração
deste livro.
Faz cinqüenta anos que vim ao mundo e me ocorre agora
uma alegoria bastante expressiva: uma flecha desferida pela
vida num arco bem retesado, em que a madeira representa minha
cegueira de nascença e o elástico, fonte do
impulso, todo o amor e a fé com que minha família
me preparou.(...)
Assim é que, por meio das bases de minha convivência,
fui levado gradativamente a pensar sempre no melhor, a confiar
mais em finais felizes do que em trágicos desfechos.(...)
É conveniente que nos lembremos de que cada um de
nós ao nascer já é resultado de criteriosa
seleção natural onde um único espermatozóide,
em meio a 250 mil, tem de nadar em um ambiente ácido
e hostil uma distância que corresponde a cerca de quatro
quilômetros até se fundir a um óvulo que
o aguarda apenas durante três a quatro dias por mês.(...)
Desde os mais remotos tempos que nossa história alcança,
no Oriente ou no Ocidente, o poder, a riqueza de poucos, foi
obtido pela miséria de muitos. Na força das
armas, das conquistas continentais e dos grilhões religiosos,
fixaram-se por séculos e séculos as diferenças
sociais, culturais e políticas.
Acontece que estamos agora vivendo um momento definitivamente
especial, uma curva evolutiva: em menos de trezentos anos
avançamos e assumimos condições de vida
radicalmente diversas das que a humanidade conhecia.(...)
Informação, eis a palavra chave. Foi o século
XVIII, com suas primeiras máquinas, com as novas e
contestadas descobertas científicas, o grande demarcador
histórico, o início dessa curva evolutiva.
Aos poucos, com a expansão dos meios de comunicação,
foi possível acessar e trocar informações
de todas as origens para todos os destinos.
O tempo se encolheu em viagens supersônicas e já
nos aventuramos na pesquisa de planetas vizinhos.
A Internet torna-se um sistema cada vez mais complexo e
capaz de transmitir dados; já não há
mais como controlar o tráfego de informações,
encerrá-lo em bibliotecas da nobreza ou nos nichos
eclesiásticos.
Quis que fizéssemos essa reflexão, ainda que
superficial, apenas para compreendermos melhor a importância
deste momento no futuro de cada um de nós. Nossas responsabilidades
como indivíduos cresceram, pois somos agora mais capazes
de mudar o mundo do que éramos trezentos anos atrás.
Será que isso é por acaso?
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