CENAS DA VIDA DE
SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Enquanto massageava meu pescoço entorpecido contemplando no alto os afrescos de Gozzoli em Montefalco, senti-me tocada pela habilidade do artista em mostrar que, embora São Francisco de Assis tivesse levado uma vida extraordinária, afinal de contas aquela fora uma vida como outra qualquer, vivida num mundo entre homens e mulheres, construções, animais e plantas. Tal visão condizia com seu lema, pois, se São Francisco era um grande místico, também era inteiramente deste mundo. Não foi tanto um amante da natureza (com certeza não era ambientalista, nem vegetariano), antes um homem que não fazia distinção entre si mesmo e o mundo

 

natural. Preferia viver como um animal, levantando-se com o sol, perambulando durante o dia, procurando comida, compartilhando-a com sua própria espécie, dormindo no chão, com uma pedra no lugar do travesseiro. A vida de São Francisco não requer nem defesa nem interpretação. Percebi que sua história pode ser mais bem apresentada numa série de cenas, começando pelos sombrios dias finais tão cheios de sofrimento físico e da adulação da multidão e concluindo com a luminosa história de sua conversão, quando ainda era um jovem com todas as possibilidades abertas à sua frente. Com esse método, espero oferecer uma


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