CAPÍTULO 1
ÉTICA E AIDS:
UMA REDISTRIBUIÇÃO DE RESPONSABILIDADES*
Não há perda mais desnorteante do que a do
homem que se perdeu a si mesmo. Momento de grande desorganização
mental, a hora do diagnóstico anunciado faz emergir
no paciente uma vivência assustadora, que o inunda da
mais intensa angústia, bloqueando de forma maciça
sua capacidade de pensar. Por mais esclarecido que possa ser
o paciente em questão, nesses primeiros momentos, saber-se
portador do HIV equivale, em seu imaginário, a ter
Aids. Todo o seu espaço mental é dominado por
essa vivência de catástrofe, como a de quem recebeu
uma sentença de morte a curto e doloroso prazo. Nesse
momento, uma parte do mundo mental do indivíduo realmente
adoece gravemente, e morre.
Sendo esse o enfoque que venho adotando como eixo do meu
trabalho, muito me chamou a atenção quando,
convidada a falar a respeito de Aids num congresso sobre "Ética,
Cidadania e Solidariedade", me vi incluída numa
mesa que abordaria questões sobre pacientes terminais
ou gravemente enfermos. De início isso me causou certo
impacto, pois em nenhum momento desejei falar sobre os aspectos
emocionais do paciente gravemente debilitado do ponto de vista
or nico, por vezes já internado numa UTI. Porém
compreendi, nessa inclusão, mero reflexo do construto
social em torno da questão Aids. A partir daí,
aquela conferência passou a ter para mim um sabor de
desafio; e resolvi falar, sim, do paciente soropositivo gravemente
enfermo, mas não daquele que se encontra fisicamente
combalido; optei por abordar outra forma de gravidade que
atinge a todos que se vêem recém-diagnosticados:
a do paciente que se sente terminal do ponto de vista moral
e de suas virtudes. No trabalho psicanalítico com pacientes
portadores do HIV, essa é, talvez, a situação
que me causa maior impacto do ponto de vista dos meus sentimentos
como terapeuta.
Nas culturas orientais, a morte é parte integrante
da vida: processo evolutivo desta, chega a ser seu coroamento.
Assim sendo, a morte desfruta de outra inserção
no contexto social: o próprio paciente, que falece
de velhice ou de outra causa externa, co-participa desse processo
juntamente com seus familiares e com os membros de sua comunidade.
Dessa forma, a morte se transforma em experiência de
vida para todos.
Na nossa sociedade, um doente terminal costuma ser isolado
de sua família. Recolhido ao hospital, identifica-se
por inteiro com a doença. Retirado do convívio
familiar, seus parentes também ficam poupados do convívio
com a dura realidade da doença.
A cultura ocidental é a cultura do espetáculo,
onde o "ter" sempre predomina sobre qualquer experiência
do "ser". Ter saúde é tão indispensável
quanto ter sucesso, ter bens de consumo, ter beleza, enfim,
ter espaço no espetáculo da vida. A doença,
e, acima de tudo, a morte, representa a falência desse
grande show. Ponto máximo do insucesso, a morte é
um dado a ser negado. A medicina, com seus avanços
tecnológicos e científicos, fez com que médicos
e pacientes acreditassem que a morte havia sido decifrada
e, de certa forma, superada. Conforme bem disse Herbert Daniel,
"afastando a morte, como se fosse uma doença curável,
a medicina elegeu o corpo como sede da eternidade".1
Mas eis que surge, no final do milênio, um microscópico
vírus que põe em pânico a humanidade e
que nos relembra que a morte é absolutamente inevitável.
Como disse Herbert de Souza, "a Aids não é
mortal; mortais somos todos nós".2 Dessa forma,
pacientes e médicos tiveram de rever seus limites e
lidar com suas fantasias de onipotência.
Desde os primórdios, a cultura associou o HIV à
morte. E mais ainda à morte indigna, cruel, lenta e
sofrida, como forma de castigo por desvios de comportamento
não aceitos pela suposta moral das boas condutas. Desejar
o proibido faz parte intrínseca de todo ser humano.
Adão desejou o proibido,3 incentivado por sua companheira
(que o incentivou porque também o desejava). Édipo
Rei4 também desejou e se apoderou do proibido. A tragédia
de Sófocles perdura há quase 2.500 anos, fato
que se deve basicamente a duas razões: a primeira,
obviamente, tem a ver com o brilhantismo poético do
referido texto; a segunda se deve ao fato de ter sido abordado,
nessa obra, um tema universal e atemporal - o desejo do proibido.
Tanto Adão quanto Édipo foram severamente punidos.
Adão perdeu o paraíso; já em Édipo
Rei observamos a manifestação da culpa através
da violenta autopunição a que se submeteu o
protagonista do mito.
Não há quem possa dizer que nunca teve fantasias
e desejos não reveláveis. Algumas pessoas renunciam
à tentativa de busca desses prazeres; porém
atuar alguns desses desejos, de forma escondida, debaixo do
pano, é comportamento extremamente comum no nosso meio.
Além do mais, na "sociedade do espetáculo",5
o que conta é o que é visto como um show. O
HIV surge denunciando esses dois mundos6 - o da vida pública
(da rua, dos bares...) e o da vida privada (do lar, da família)
- e, dessa forma, acaba por expor aquelas pessoas que transgrediram
os limites vigentes, que os demais se esforçaram para
não ultrapassar ou, pelo menos, para esconder que ultrapassaram.
Quanto a esse ponto, gostaria de ir um pouco mais longe.
É lógico que há uma boa parcela da sociedade
que assume a renúncia necessária para um desenvolvimento
moral. Mas nem aqueles que se enquadram com razoável
conforto dentro das normas vigentes poderiam, a meu ver, se
sentir isentos de responsabilidade desse contexto sociocultural
no qual se enquadra toda a problemática da Aids. No
fundo, somos todos responsáveis por um endosso passivo
dessa sociedade permissiva, a qual, por todos os lados, envia
mensagens que podem induzir os mais suscetíveis a situações
de risco para a contaminação pelo vírus
HIV.
Por todos os cantos da cidade existem out-doors onde modelos
com corpos esculturais, porém maquiadas com fascies
de drogadição, promovem marcas famosas de roupas
boas e bonitas, sem dúvida, mas tão caras quanto
o valor de suas etiquetas. Volto a lembrar, é a "sociedade
do espetáculo". Na programação da
televisão, o que não falta são novelas
e programas humorísticos, aos quais assistimos passivamente
na companhia de nossos filhos e com os quais até nos
divertimos e rimos em família. Ocorre que, muitas vezes,
esses programas exibem caricaturas de comportamentos e de
situações de risco para a disseminação
da Aids.
Tais programas existem porque nós garantimos sua audiência.
A mídia desenvolve sua propaganda baseada em vasta
pesquisa de mercado, bem como em estudos psicológicos
do funcionamento mental do ser humano (potencial consumidor
dos produtos que divulga). Portanto, sabe muito bem da ambivalência
universal entre desejos proibidos e comportamento socialmente
aceito e é apostando na força peremptória
do desejo proibido que baseia seu ambiente de propaganda.
Se todos participamos e endossamos essa situação,
até lhe garantimos audiência, a quem de nós
cabe a possibilidade de segregar alguém só porque
chegou mais perto de determinado comportamento ou de determinada
situação de risco? Mesmo porque situação
de risco não tem nada a ver com certo ou errado, proibido
ou permitido. Trata-se apenas do risco de se contaminar com
o HIV: "risco" no sentido de probabilidade. Uma
relação sexual sem prevenção,
portanto sem camisinha, é uma situação
de risco, porque implica a probabilidade de contaminação
pelo HIV, independentemente de ser uma relação
aceita ou não pelo discurso oficial da sociedade.
Parece-me que a sociedade como um todo deveria repensar sua
dose de responsabilidade nesses fatos. Mas o que ocorre de
modo geral é que, quando um indivíduo se apresenta
com o HIV, ele acaba sendo execrado pela sociedade, que se
mostra implacável na punição imposta
àqueles que deixaram visível que ultrapassaram
seus limites. A sociedade sente-se pega de "calças-curtas"
quando alguns de seus representantes se apresenta com o HIV;
essa contaminação evidencia seu mau comportamento;
para compensar, tende a instalar o moralismo, que é
uma "tendência a priorizar, de modo exagerado,
a consideração dos aspectos morais na apreciação
dos atos humanos".7 Quando isso acontece, instaura a
caça às bruxas. O castigo imposto é a
segregação e o preconceito; assim, o HIV se
torna um divisor de águas. O primeiro cognome dado
a essa síndrome define bem esse processo: peste gay.
Repito: "peste"! Algo execrável que os "bons"
não podem admitir. Pelo menos à luz do dia...
Por tudo isso, quando um indivíduo, membro dessa
sociedade, se vê com o diagnóstico "reagente"
em mãos, seu mundo mental pára e desaba sobre
si mesmo. No caso do Elisa e do Western Blot, "reagente"
para o HIV adquire o significado de sentença de morte
moral. O que desaba, antes de mais nada, é a imagem
idealizada que o indivíduo tem de si mesmo: por questões
do seu narcisismo, ele passou a vida tentando ser (e acreditando-se)
superstar dessa sociedade do espetáculo. Processo desnorteante
porque, geralmente, as pessoas não abdicam com facilidade
dessa posição narcísica.8 Aliás,
mecanismo também universal, geralmente se fazem necessários
longos anos de análise para que o indivíduo
abdique dessa busca da perfeição.
Voltando ao nosso paciente recém-diagnosticado, ele
pensava que sabia quem era até então: um elemento
do elenco da "sociedade do espetáculo". Porém,
a partir de agora, ele terá de se ver, quer queira,
quer não, com seus limites e fraquezas, com a verdade
de seus desejos e dos limites da sua renúncia. Só
que antes dessa percepção há um longo
meio caminho a ser percorrido e o indivíduo se sente
desnorteado. Perdeu-se a si mesmo. Quando consegue um mínimo
de recursos para começar a refletir, olha para dentro
de si mesmo e... o que vê? Apenas um vazio e uma escuridão.
Um vazio principalmente com relação às
suas virtudes.
Sempre que me refiro a "virtude", falo de uma força
interna que age, ou que pode agir. A virtude de um homem é
querer agir humanamente; e agir com humanidade é agir
bem. Aristóteles define "virtude" como uma
predisposição para fazer o bem. Montaigne vai
mais além, afirmando que "não há
nada mais belo e mais digno do que o homem agir bem, e devidamente...
É a própria virtude".9 O paciente sente
que perdeu tudo isso; é como se o vírus tivesse
outro poder além do de destruir o sistema imunológico
orgânico: o de minar a capacidade que seu portador tem
de se reconhecer como uma pessoa virtuosa, pelo menos na mesma
medida em que se reconhecia antes da explicitação
do diagnóstico. Ele não se sentia sem virtudes,
mesmo quando adotava condutas que sabia estarem fora do rol
dos bons e virtuosos costumes ditados pela sociedade. Não
se sentia sem virtudes porque era homo ou bissexual, ou porque
usava seringas compartilhadas, independentemente da opinião
declarada pela sociedade em seu discurso oficial. Ao contrário,
muitas vezes sentia-se até estrela graduada do espetáculo.
O que se observa é que a sensação de
ausência de virtudes surge com o HIV declarado. Ao ler-se
assim, o paciente se torna, ao mesmo tempo, objeto e sujeito
do preconceito que o segrega. O paciente se ataca dessa forma
devido à culpa10 que invade seu mundo mental.
A partir do momento em que uma réstia de luz começa
a entrar dentro do mundo mental desse indivíduo, ele
começa a poder enxergar um pouco melhor o que restou
lá dentro. Em vez do vazio, passa a ver um amontoado
de "cacos". Já é um começo.
Cacos para um vitral11 , como diria Adélia Prado.
É primordial que o paciente se dê conta disso.
Na realidade, o único dado novo na vida do paciente
é o conhecimento que ele passou a ter da presença
do HIV em seu sangue. Sequer a presença do vírus
representa uma novidade. Uma vez que, provavelmente, essa
contaminação já ocorreu há algum
tempo, é fundamental que o paciente perceba a leitura
que ele fazia de si próprio até as vésperas
de se saber soropositivo. As auto-recriminações
que costumam surgir nesse momento não o ajudam em nada.
Ao contrário, se esse tipo de pensamento começa
a se manifestar muito intensamente, pode até adquirir
um caráter obsessivo - e, dessa forma, defensivo. Na
medida em que esse tipo de recriminação inunda
o mundo mental do paciente, este acaba ficando poupado de
ter de se ver com sua nova realidade. O que se segue, porém,
é a instalação de quadro psiconeurótico:
para que o soropositivo não entre em depressão,
ele precisa elaborar toda essa situação.
Ajudá-lo a voltar a se reconhecer como alguém
dotado de virtudes não significa absolutamente entrar
no mérito das escolhas que ele fez no passado. Esse
tipo de ajuda também não vai ser um impeditivo
para que ele venha a fazer uma reavaliação de
sua vida, caso assim o deseje. Essa abordagem tem por objetivo,
primeiro, recolocar as coisas no seu devido lugar; afinal,
se de fato o paciente fazia uma leitura positiva da sua própria
história, até antes de ter aberto o exame de
laboratório, não há motivo para deixar
de fazê-lo só porque adquiriu um vírus,
mesmo que se trate de um vírus sexualmente transmissível.
Esse tipo de pensamento não ocorre quando as pessoas
adquirem outras DSTs (doenças sexualmente transmissíveis).
Quando o paciente realmente parte para uma reflexão
mais profunda a respeito de suas opções, é
porque, no fundo, não estava exatamente satisfeito.
Para esse tipo de reflexão se tornar produtiva, faz-se
necessário superar aquele enfoque de caráter
obsessivo, de auto-recriminação.
Segundo o que tenho observado, o processo terapêutico
com o paciente soropositivo apresenta dois momentos bastante
distintos. No primeiro, que poderia ser chamado de "UTI"
mental e moral, o terapeuta tem de ser polivalente, como um
bombeiro que apaga um incêndio, que atende e encoraja
os feridos, aparta com respeito os que morreram, encaminha
os sobreviventes para locais mais seguros enquanto aguarda
a logística definir os passos do resgate. Às
vezes o paciente está atravessando esse momento sozinho;
às vezes tem a sorte de estar, desde o início,
amparado pela família ou por um companheiro, acompanhantes
estes que também se encontram imersos nesse incêndio.
O objetivo terapêutico dessa fase é tentar garantir
a sobrevivência mental dos envolvidos na questão.
Alcançando essa meta, o terapeuta terá preparado
o solo para começar a semeadura da segunda fase terapêutica:
a da construção do vitral, a partir daqueles
cacos...
O primeiro momento sempre é muito tenso e intenso.
Para a compreensão desses pacientes, sempre tenho usado,
como eixo central do meu trabalho, minha formação
psicanalítica. Mas, em termos de técnica e de
enquadre, acredito que se faz necessário um amplo jogo
de cintura. Contatos com a família, sessões
extras, contatos telefônicos, às vezes com outros
profissionais de saúde que também estejam cuidando
do paciente, podem ser fundamentais para um sólido
e profícuo vínculo terapêutico. A meu
ver, as sessões são no consultório, sempre
que possível; mas nem sempre isso é viável.
Ao atravessar de mãos dadas com o paciente essa fase
da tormenta, este sente que o terapeuta se importa com ele,
sintoniza com seu sofrimento, ouve seu clamor. O terapeuta
é sentido como um ombro amigo, na medida em que oferece
uma escuta amiga. Por ser profissional, essa escuta possibilita
ao paciente re-significar sua tragédia e transformar
aquilo que até então era só escuridão
em uma possibilidade. Por enquanto, o paciente não
vê nada além de cacos esparramados, mas já
consegue fragilmente acreditar que possam existir mãos
habilidosas, capazes de ajudá-lo a juntar esses cacos.
Como eixo teórico para esse jogo de cintura, tenho
recorrido aos ensinamentos dos terapeutas sistêmicos.
A imagem que me vem é a dos artistas, arqueólogos,
voluntários e cientistas trabalhando pacientemente,
incessantemente na reconstrução de uma catedral,
como a de Assis, que desabou após um terremoto; tal
qual a abertura de um envelope de laboratório, o terremoto
durou apenas alguns momentos, mas estes já foram suficientes
para impor uma vasta destruição. Quando vemos
as primeiras imagens na televisão, sentimos a dor de
uma parte da história irremediavelmente perdida; e
a pena de que não pudemos ter a oportunidade de ver,
ou de rever, aquela obra de arte. Conforme os especialistas
vão se organizando, aos poucos vamos começando
a acreditar que exista alguma chance de reconstrução
ante o drama ocorrido; percebemos que nem tudo está
irremediavelmente perdido.
Retomo aqui a metáfora dos cacos para o vitral. O que
venho observando, nestes mais de catorze anos de atendimento
psicanalítico a esses pacientes, é que, após
um longo, árduo e sofrido trabalho de reconstrução
emocional, o que aflora é uma pessoa muito mais criativa,
muito mais virtuosa, reflexiva e solidária do que ela
era antes de toda essa tormenta. Disse Cazuza: "Saí
da doença com o corpo fraco e com a cabeça forte".12
Não há dúvidas de que o maior problema
que nós, profissionais da saúde psíquica
sensu latu, temos de enfrentar juntamente com nossos pacientes
soropositivos é o do preconceito, que surge como conseqüência
de toda essa dinâmica do explícito e do não-explícito
da sociedade. Rubem Alves analisa isso com delicadeza poética:
"A Aids faz as pessoas falarem em sussurros - como se
estivessem diante do terrível vergonhoso. Por longos
e divergentes que sejam os seus caminhos, todos conhecem a
filiação: nasceu de dois amantes abraçados
num abraço de amor proibido. Lugar de segredo, deveria
ter permanecido fechado, como um quarto proibido. Todos temos
um quarto secreto, onde ninguém deve entrar: mora ali
a nossa intimidade mais profunda, que nenhum olhar deve contemplar.
Por isso nos cobrimos de roupas, para proteger a nossa nudez
dos olhos cruéis dos estranhos. Mas a doença
arromba a porta, e transforma a intimidade numa sala de museu,
aberta à visitação pública. E
quando isto acontece, aquilo que foi vivido como paixão,
se transforma em pornografia. A pornografia não está
no abraço, mas nos muitos olhos que o contemplam, como
espetáculo. A Aids tem assim duas dores: a dor da enfermidade,
e a dor dos olhos dos outros".13
E, para finalizar, recorro ainda a Rubem Alves:
"Quem sabe haverá poetas que saberão dizer
aos doentes de Aids as palavras que os arrancarão dos
túmulos onde os nossos olhos os colocaram".14
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