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Sérgio Sá
Foto: Cristina Reis |
Destaca-se a coleção de vinhetas que criou para a FM de Stevie Wander. Nos anos 90, de volta ao Brasil, criou a trilha sonora da série Mundo da Lua (TV Cultura) e participou como arranjador do CD Quanta de Gilberto Gil. Em sua produtora, Fábrica de Sons, é responsável pela nova cara sonora da Voz do Brasil e por jingles vencedores na publicidade. Gravou Voa vida (1982) e Fora de prumo (1984). Juntamente com este livro, ele lança o CD Ecos do amanhã (Café Brasil). Publicou Fábrica de Sons (Editora Globo, 1994) e Feche os olhos para ver melhor (Sá Editora, 2003, edição em tinta e 2004, edição em Braille).
Para um cego, o som é a imagem, o reflexo de toda a atividade humana. Segundo Sérgio Sá, que é portador de catarata congênita, “soamos nos sonhos, nas catástrofes, na alegria, no lamento, até no silêncio”.
A falta da visão fez com que Sá se conectasse ao mundo por uma teia sonora e invisível, com sua sensibilidade sendo alimentada por ecos e vibrações que não cessam nunca de chegar para alguém sempre de olhos fechados -- sem acesso ao mundo fugaz e por vezes enganoso das imagens.
É dessa matéria prima que se alimenta este Ecos do amanhã, em que o autor transformou em palavras, que, por acaso também são silenciosas fontes de ruídos, suas inquietações e reflexões.
É para se ler em silêncio esse brado de alerta e de profundo amor à Humanidade, transformado também em um texto de ficção inventivo e saboroso (sim, Sérgio sabe como despertar vários outros sentidos!).
É para se prestar atenção quando ele nos fala desse ruído insidioso que invade o planeta: ele parece tocar na fonte mesmo de nossa angústia e de nossa salvação.
Eliana Sá



