BLOG DA SÁ
São Paulo, segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Mônica Bergamo
ZIDANE NO BRASIL
O ex-jogador francês Zinedine Zidane vai voltar ao Brasil em outubro. Ele é padrinho da Copa das Nações Danone, torneio de futebol que reúne crianças de dez a 12 anos de 40 países e que terá a final disputada pela primeira vez no país.
O evento acontece nos dias 10 e 11 de outubro, no estádio do Pacaembu.
Leia ZINEDINE ZIDANE:UMA BIOGRAFIA - LANÇAMENTO SÁ EDITORA ![]()
O ano de 2009 marca as comemorações do ano da França no Brasil. Manifestações culturais as mais diversas começam a acontecer nos quatro cantos do país, repercutindo a cultura francesa em sua interação com a brasileira e em sua amplitude de influências e peso de expressão em nossa sociedade.
Nós, da Sá Editora, iniciamos uma campanha de divulgação de nosso catálogo de autores franceses contemporâneos. São 11 títulos de ficção e não-ficção, escritos em francês originalmente, que são ainda sucesso na França (e no mundo), selecionados e publicados nos últimos 04 anos pela Sá no Brasil.
Um esforço recompensador do ponto de vista cultural, sem dúvida, e comercial, se pensarmos que entre esses livros encontra-se, por exemplo, CURAR: O STRESS, A ANSIEDADE E A DEPRESSÃO , de David Servan-Schreiber,publicado em mais de 35 países, 600.000 vendidos na França, 50 mil no Brasil –nosso long-seller; bem como,O ATENTADO, de Yasmina Khadra, 10 mil já vendidos no Brasil; e A VIAGEM DE HEITOR à PROCURA DA FELICIDADE , de François Lelord, o único francês na lista de mais vendidos no mundo em 2006, muito apreciado pelos leitores brasileiros, já em terceira edição.
Em um mercado onde impera o best-seller americano, ou made in USA, digamos que foi um ato de coragem e também de afeto pela cultura francesa e por seus ideais humanísticos — apostamos que uma parcela de público leitor gostaria de ser apresentado aos autores que vivem e escrevem na França de hoje, ou se utilizam do Francês como uma segunda língua,valorizando e ampliando horizontes linguísticos ( caso do argelino Yasmina Khadra).
Dividimos nossos títulos mais ou menos assim:
A França da liberdade - Yasmina Khadra, com sua trilogia de Paz,contra as guerras no Oriente
O ATENTADO
AS ANDORINHAS DE CABUL
AS SIRENAS DE BAGDÁ
A França da igualdade Christiane Collange, a feminista moderna
A SEGUNDA VIDA DAS MULHERES
NÓS, AS SOGRAS
A França da fraternidade François Lelord, com suas sutis lições de viver
A VIAGEM DE HEITOR Á PROCURA DA FELICIDADE
HEITOR E OS SEGREDOS DO AMOR
A NOVA VIAGEM DE HEITOR Á PROCURA DO TEMPO PERDIDO
Duas personalidades francesas de expressão completam nossa lista:
David Servan-Schreiber, o médico e psiquiatra filho do jornalista e político Jean-Jacques, com dois dos livros mais importantes e revolucionadores na área da saúde emocional nos últimos tempos
CURAR… SEM MEDICAMENTO NEM PSICANÁLISE
SETE PASSOS PARA CURAR — este, organizado pela editora Eliana Sá, e publicado especialmente para o Brasil
E ainda ZINEDINE ZIDANE , a biografia de uma dos maiores atletas de todos os tempos, francês de origem árabe, numa bela edição, com texto assinado por dois jornalistas franceses: Jean Phillipe e Patrick Fort.
Et voilá! Está com vocês, leitores, de aproveitar a leitura para se acercar mais de conhecimentos sobre esta bela e rica civilização!
Corram às livrarias onde oslivros estarão marcados por um adesivo especial!!!
Clique nos links e conheça melhor cada livro e seus autores. Veja o que a midia falou de cada um deles também.
No mais, desejamos um boa viagem na leitura! Et Vive la France!
GOVERNANÇA E MERCADO Setembro de 2008 15
POR MÔNICA MANSUR BRANDÃO e MARCELO DOMINGOS
Mônica é conselheira da Apimec-MG, profissional de Finanças e Estratégia, professora e Mestre em Administração
([email protected]). Marcelo é sócio-diretor da DLM Invista, gestor de recursos, MBA em Finanças e mestrando em
Administração ([email protected]).
GOVERNANÇA CORPORATIVA: COMO OS CONSELHOS DE ADMINISTRAÇÃO PODEM
FAVORECER O EMPREENDEDORISMO NOS NEGÓCIOS?Há algum tempo, aguardávamos um vôo no aeroporto de Confins, próximo a Belo Horizonte, para a cidade de São Paulo, quando nos deparamos, na livraria onde passávamos parte de nosso tempo de espera, com o livro denominado Acredite em você mesmo e vá em frente, de autoria do célebre empresário inglês Richard Branson,acionista controlador do grupo Virgin. Há quem diga que não existe acaso, e se isso é verdade, parece se aplicar ao presente artigo, inspirado na primeira leitura que fizemos quando abrimos ao acaso o livro com a sorridente foto de seu autor na capa: lá estava a pequena história da abertura e fechamento de capital da Virgin, contada por Branson
no capítulo 5. Mas antes de refletir sobre essa passagem, vale a pena dizer algo sobre o autor.
Nascido em Londres em 1950, Richard Branson iniciou sua carreira empresarial aos 15 anos, por meio da criação da revista Student, seu primeiro empreendimento. O autor relata, no início do livro, a fórmula que fez a Student dar certo: planejamento e persistência. Branson afirma que ele e seu colega de escola Jonny Gems passaram dois anos,por ele considerados muito divertidos, escrevendo centenas de cartas com oferta de espaço de propaganda, além de também tentaram entrevistas com pessoas famosas. Isso terminou dando certo. Apoiado pelos pais, Branson deixou a escola para cuidar da revista e acampado com Gems no porão da casa dos pais de seu amigo, passou a cuidar
exclusivamente do empreendimento. Os jovens sócios conseguiram entrevistas com pessoas famosas como os cantores John Lennon e Mick Jagger e os atores Vanessa Redgrave euddley Moore, tendo sido os primeiros a vender discos a baixo preço pelo correio. Com o tempo, passaram a vender discos em múltiplos pontos em várias cidades da Inglaterra. O negócio prosperou e a Virgin Music foi alcançando cada vez maior sucesso.
Outro capítulo interessante da trajetória de Branson diz respeito à criação de uma companhia aérea. A história teve os seus primórdios em 1977, quando o empresário teve o dissabor de chegar ao aeroporto em uma ilha onde terminara de passar férias e ver cancelado seu vôo previsto para Porto Rico. Como ninguém se movia, Branson fretou um vôo por dois mil dólares, dividindo esse valor pelo número de viajantes, o que resultou no custo de 39 dólares por pessoa a viajar. Pedindo uma lousa emprestada, nela escreveu: Virgin Airways, 39 dólares por pessoa. Vôo de ida para Porto Rico. Anos após, em 1984, o empresário recebeu a
proposta de um novo negócio, visando a criação de uma companhia destinada a fazer vôos entre a Inglaterra
e os EUA. A lembrança da história do fretamento e o modelo de negócio proposto impressionaram Branson e, após fazer pesquisas e enfrentar as opiniões contrárias aos seus planos, ele criou a Virgin Atlantic. Tornar a empresa um negócio atrativo não foi fácil, em função da regulamentação e, principalmente, das reações da concorrência, mas a empresa parece ter superado os tempos pioneiros mais difíceis.
O livro de Richard Branson apresenta diversas outras passagens interessantes, abrangendo as aventuras de seu autor por ar e mar, em geral, corridas de balão e de barco consistentes com a sua personalidade ousada e afeita a desafios.Mas o que mais nos chamou a atenção foi a pequena história da abertura e fechamento de capital do grupo, narrada pelo empresário. Em 1986, a Virgin era uma das maiores empresas privadas da Grã Bretanha, com quatro mil funcionários e as vendas tinham crescido 60% no ano anterior. Branson foi aconselhado a vender ações para o público; dois de seus sócios não apreciaram a idéia, apontando o risco da perda de controle vis-à-vis do perfil
pessoal do empreendedor. Pressionado por banqueiros e com o olhar voltado ao sucesso da abertura de capital de
empresas como a Body Shop, de Anita Roddick e outras, o empresário foi em frente e abriu sua empresa na Bolsa de
Valores.
Segundo Branson afirma, cerca de 60 mil pessoas manifestaram interesse nas ações da Virgin por correio.
Adicionalmente, filas se formaram na City Londrina, com muitos desejando comprar pessoalmente as ações da empresa. Branson diz que jamais se esquecerá de sua caminhada ao longo da fila, agradecendo ao público a confiança depositada em seu trabalho. Alguns diziam que estavam abrindo mão de suas férias para investir na empresa; outros, que estavam colocando suas economias baseadas na confiança em Branson. Mas apesar desse
início emocionante, não demorou muito tempo para o empresário detestar o novo sistema. Ao invés de reuniões informais com seus sócios em sua casa-barco, agora tinha que conviver com um conselho de administração e essa convivência incluía aspectos como aguardar a reunião mensal para tomar decisões relevantes, conviver com conselheiros que não tinham bom conhecimento do negócio de música e ouvir críticas sem fundamentação profunda a artistas que desejaria contratar, como Mick Jagger. Acostumado a tomar decisões de forma rápida, o empresário se sentiu tolhido. Quando as ações da Bolsa de Valores começaram a cair, ainda que não por sua culpa, Richard Branson tomou uma decisão: recomprar as ações e trazer a empresa ao status inicial. A decisão foi implementada
pelo valor de 182 milhões de libras e Branson afirma que no dia em que voltou a ser dono de suas ações, sentiu-se
aliviado e, novamente, senhor do seu destino.
Feitas essas considerações, retornemos à questão do título desse artigo: como os conselhos de administração podem
favorecer o empreendedorismo nos negócios? A pequena história da abertura e fechamento de capital da empresa de Richard Branson faz pensar. Não se discute a grande importância dos mercados financeiros e de capitais para o fortalecimento das economias capitalistas e para a democratização do capital na sociedade; nessa lógica,fechamentos de capital incomodam, pois sempre se espera e torce para que as empresas tenham sucesso ao se abrirem para o mercado. Talvez exista algum exagero de nossa parte nesse incômodo, mas mesmo assim, nos
atrevemos aqui a comentar dois aspectos apontados por Richard Branson ao relatar suas dificuldades com a nova
forma de governança dos negócios.Primeiramente, desponta o aspecto de que a necessária burocratização dos trabalhos de um conselho de administração não deveria prejudicar negócios que necessitam de decisões ágeis, travando o empreendedorismo
empresarial. Em um contexto de concorrência acirrada, em que os agentes se movem de forma rápida, é razoável
esperar pelo próximo mês para discutir o que deve ser discutido no momento presente? A nós, parece que não. Em segundo lugar, aparece a relevante questão da escolha de conselheiros que busquem compreender os negócios sobre os quais devem tomar decisões. Conselheiros não precisam entender de todos os negócios, mas devem estar dispostos a buscar entender razoavelmente bem os vários modelos de negócios abrigados sob um grupo empresarial.
Em suma, os conselhos de administração devem estar afinados com a dinâmica real do ambiente da empresa.
Richard Branson é um empresário bem sucedido, que faz diversas recomendações em seu livro a quem deseja empreender com sucesso, entre as quais planejar, perseverar e fazer acontecer. Auto-ajuda pura e simples? Pode até ser ou parecer, mas a nós, parece que os conselhos de administração necessitam utilizar formas concretas de ajudar as diretorias executivas no fazer acontecer quando e onde necessário. A tecnologia está aí para ajudar.
Um romance sensual, provocador e sabiamente subversivo sobre uma adolescente indiana e a sua conquista do amor e da vida.
Premiado com o Lambda Literary Award 2005 e o American Library Association’s Stonewall Award 2006.
Anamika, ou Babyji, vive em Nova Deli e é uma estudante incrívell. Ela é também, surpreendente: na escola, é um gênio da Física Quântica; em casa, lê o Kamasutra às escondidas e, no seu esforço para crescer, atrai as atenções de homens e mulheres, garotos e garotas.
Ávida de experiências e saber, questiona a justiça e a relevância do sistema de castas indiano, o conservadorismo do país e questões morais e intelectuais tais como a homossexualidade e a religião.
Mas será através do sexo que ela vai encontrar algumas das respostas.
Desafiando as regras de um país onde a sexualidade é tema tabu, embarca numa série de romances: de uma sofisticada mulher mais velha à empregada de casa dos pais… enquanto se empenha na sedução de uma das colegas mais cobiçadas da escola e se comporta como uma verdadeira Lolita junto de um amigo do pai.
Singular e transgressora como todos os que buscam a verdade sobre si próprios e o mundo, Anamika confronta-se com questões capazes de abalar pessoas com o dobro da sua idade e sai vencedora de tão precoce combate.
Este é um breve resumo do romance Babyji de Abha Dawesar que a Sá Editora prepara no momento para lançar no final de fevereiro próximo, com tradução de Luis Manuel Louceiro.
Abha Dawesar nasceu em 1974 em Nova Deli, na Índia, e formou-se com distinção na Universidade de Harvard. Ganhou uma bolsa da New York Foundation for the Arts . Escreveu “Family Values” que a Sá Editora publicará também em breve.
Vive em Nova Iorque.
Babyji foi premiado com o Lambda Literary Award 2005 e o American Library Association’s Stonewall Award 2006.
A revista Time Out New York incluiu Dawesar numa lista de 25 nova-iorquinos que iriam deixar a sua marca em 2005. A revista Femina indiana considerou-a uma das doze mulheres mais marcantes da Índia, e um dos principais jornais nacionais de expressão inglesa – The Hindustan Times – incluía numa lista de onze autores de Next Big Things para 2005.
Em 2003 Dawesar foi nomeada “Mulher Destemida Divertida” do mês da Cosmopolitan indiana.
Babyji foi considerado um dos dez livros do ano pelo Boston Phoenix e está publicado nos EUA, Espanha, Itália, Índia, Turquia, Portugal, França e Rússia. Dawesar teve recente a sua primeira exposição de arte individual numa galeria de Nova Iorque e mantém um blog www.abhadawesar.com/blog.html
sobre cultura, arte e, naturalmente, literatura.
O site de Abha vale a pena ser visitado — é um charme!
www.ahbadawesar.com
Capa de edições internacionais do romance BABYJI de Abha Dawesar, lançamento Sá Editora 2009
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Uma palavra, mil imagens
Folha recolhe opinião de cegos a respeito do filme “Ensaio sobre a Cegueira”, cujo DVD é lançado com recurso de audiodescrição para pessoas com deficiência visual
Marlene Bergamo/Folha Imagem
SYLVIA COLOMBO
DA REPORTAGEM LOCAL
Pessoas pisam em fezes no chão. Uma mulher de corpo volumoso está nua, de costas, numa cama. A esposa do médico enfia a faca no barman.
O que é mais incômodo? Assistir imagens fortes como estas, escutar sua descrição ou, simplesmente, lê-las como se encontram acima? O DVD de “Ensaio sobre a Cegueira”, adaptação da obra homônima do Nobel português José Saramago, realizada pelo diretor brasileiro Fernando Meirelles, chega ao mercado com um recurso que permite que tanto cegos como pessoas com perfeita capacidade de visão discutam a questão. Essa técnica é a audiodescrição, que permite a melhor compreensão de um filme por parte de quem não pode ver por meio de uma narração simultânea das cenas, mesclada a diálogos, trilha sonora e sons que fazem parte da ação.
A Folha exibiu o DVD a um grupo de deficientes visuais que trabalham na Fundação Dorina Nowill, em São Paulo, ou a frequentam. Ao compositor Sérgio Sá, que é cego de nascença. E ao professor de direito internacional da USP, Alberto do Amaral Junior, que perdeu a visão aos 20 anos. A experiência teve interesse duplo para todos. Primeiro, porque o lançamento é praticamente pioneiro no Brasil e oferece a pessoas que não enxergam a oportunidade de assistir a filmes sem precisar da ajuda de terceiros. Segundo, pelo fato de o tema central da obra ser a cegueira, ainda que com um significado alegórico.
Na história, uma misteriosa epidemia faz com que, gradativamente, a população de uma cidade perca a capacidade de enxergar. A única personagem não contaminada é a mulher de um médico -interpretada pela atriz Julianne Moore. É ela quem guia o grupo central do enredo até seu epílogo.
Protestos
Na época do lançamento do filme nos EUA, uma associação de cegos sediada em Baltimore promoveu protestos ao considerar que este apresentava os deficientes como monstros. Isso porque, na trama, o governo confina os infectados num asilo, em condições precárias de higiene e alimentação. Logo, a disputa pela comida provoca desentendimentos, seguidos de uma violência crescente, que leva a estupros coletivos e, finalmente, à guerra. Na ocasião, Saramago reagiu contra a manifestação do grupo norte-americano, declarando que “a estupidez humana não diferencia cegos e videntes”.
O compositor Sérgio Sá, 56, autor do livro “Feche os Olhos para Ver Melhor”, concorda com o português. “Eles não perceberam que o filme não é sobre cegos, que estão ali como uma metáfora para falar da nossa omissão. É essa omissão que cria monstros”, diz.
Meirelles ainda não viu a versão de seu filme com audiodescrição e está curioso com relação à recepção por parte dos deficientes. “Mas os caras que protestaram nos EUA erraram o alvo. Eu mesmo não fui estudar o comportamento de cegos para dirigir os atores. Para mim, essa história não é sobre cegos, é sobre o homem.” O professor Alberto do Amaral Junior, 49, acrescenta: “O autor poderia ter usado uma outra deficiência física, mas a cegueira é a mais emblemática e a que mais assusta no mundo em que vivemos”, explica.
Para o acadêmico, o “Ensaio” é uma obra aberta a diversas interpretações. Mas aponta duas que considera as mais importantes. “A surpresa diante da cegueira repentina mostra a incapacidade humana de lidar com o perigo novo e desconhecido. Essa surpresa leva as autoridades a pensarem imediatamente na reclusão dessa ameaça. Isso faz lembrar os textos de Michel Foucault [1926-84, filósofo francês que, entre outras coisas, estudou a relação do homem com a loucura e a prisão]”. A outra leitura, para ele, refere-se à disputa de poder. “Ela nasce de um princípio básico: a privação da alimentação. Isso não é próprio da cegueira, mas do ser humano de modo geral.”
Mundo real
Apesar de o foco central da obra não ser a enfermidade, alguns deficientes identificaram-se com personagens e passagens. É o caso de Gilson Rocha da Silva, 28, que nasceu com um problema de visão, mas ficou completamente cego há um par de anos. “A discriminação que os cegos sofrem no mundo real está bem mostrada.
As autoridades preferem nos trancafiar, nos deixar num canto, do que enfrentar o problema de nos integrar à sociedade.”
O massoterapeuta Dalmir Bernardo, 65, cego há mais de 20 anos por conta de um glaucoma, acha que o filme pode ajudar a conscientizar aqueles que veem. “As pessoas nunca pensam que algo ruim pode acontecer com elas. Aquelas primeiras cenas, meio confusas, em que o oriental fica cego, exemplificam essa questão da nossa impotência”, diz.
Professor voluntário de informática na fundação, Antonio Carlos Grandi, 54, que perdeu a visão recentemente, crê que o filme não supera o livro, mas gostou da audiodescrição.
“A narração não pode ser interpretativa, não tem que nos explicar nada, apenas contar de forma direta o que é a imagem que está na tela. Nesse sentido está muito bem feita.”
“Tudo branco”
Já a aposentada Olinda Haragutchi, 76, que tem a mesma cegueira dos personagens do romance -”eu vejo tudo branco, até quando está escuro”- a versão para deficientes não funcionou. “Tem muito barulho, muita voz. Me compliquei e não consegui acompanhar a história. Prefiro livro falado.”
Já sua amiga, Maria das Graças Gomes de Souza, 40, que tem visão parcial (”vejo vultos”), gostou muito da sessão. E diz que, se o recurso se tornar mais comum, seu marido e seu filho vão comemorar. “Eu vivo atrapalhando, fazendo com que eles me contem o que está acontecendo na televisão. Agora, se isso ficar usual, vou poder até ir ao cinema sozinha.”
Amaral lembra, porém, que não é só a solidariedade que faz nascerem iniciativas como essa. “É claro que é uma coisa muito legal, mas evidentemente tem uma jogada de mercado aí. Com mais audiodescrições, haverá mais consumidores.”
Autora brasileira escreve sobre sua vida na Holanda
Escrito por Mariângela Guimarães
Tuesday, 02 de December de 2008
A escritora brasileira Mara Parrela faz a apresentação e tarde de autógrafos de seu livro “Hier en daar - Aqui e lá” em Amsterdã no dia 7 de dezembro. A edição bilíngue é uma publicação da Sá Editora e já foi lançada em São Paulo, Belo Horizonte e Roterdã.
Em “Aqui e lá” Mara Parrela faz um relato bem-humorado de experiências suas e de outros imigrantes. Conta sobre o casamento no exterior, o choque cultural, a saudade do Brasil, mas também escreve sobre a alegria de se sentir “cidadã do mundo” e de formar uma nova família.
O lançamento acontece na sede do Teatro Munganga (Schinkelhavenstraat 27hs), no domingo, 07/12, das 13h30 às 16h30.
Célia de Gouvêa Franco, De São Paulo
21/08/2008
Fonte: Valoronline
Mestre em jogadas de marketing, Branson revela em seu livro que também privilegia o planejamento estratégico
“Acredite em Você e Vá em Frente
O Segredo do Sucesso de uma Mente Milionária” - Richard Branson, Sá Editora, tradução: Marcia Tabacow, 110 págs. R$ 27,90
Possível aprender como ganhar dinheiro, muito dinheiro, e ser bem-sucedido no mundo empresarial? Se a resposta for negativa, por que há, então, tanto interesse em livros que contam as “lições de vida” de empresários que, em muitos casos, saíram do quase nada para se tornar bilionários, como é o caso do inglês Richard Branson, fundador de empresas como a cadeia de lojas de discos Virgin e da companhia aérea Virgin?
Talvez o mais correto seja dizer que há sempre otimistas ou esperançosos que acreditam na possibilidade de descobrir algum segredo, um truque, um atalho que facilite o pedregoso caminho da ascensão social e econômica. Também há leitores que se deixam encantar por essas fábulas modernas, as histórias de vencedores que conseguem impor-se aos dragões e ficam com a mocinha no final da história, com a esperança de que o mesmo possa se repetir nas suas vidas. Mas não há dúvida de que relatos de glórias ou fracassos reais são inspiradores, sejam contados por e sobre heróis ou homens de negócios.
Para quem está em busca de receitas mais fáceis para vencer na vida, o livro de Branson não poderia ser mais direto, mas, claro, não revela como se consegue o milagre ou a mágica para se passar de pobretão para endinheirado. Curta, simples, com uma linguagem corriqueira, é uma obra que consome pouco tempo do leitor. São capítulos de poucas páginas cada um, possíveis de serem lidos de uma assentada só. E cada um deles já traz no título a lição que Branson quer transmitir: “Faça acontecer”. Ou “Desafie-se. E Ainda Faça Algo Bom.”
Nascido em Londres em 1950, Richard Branson começou cedo suas investida no mundo dos negócios. Aos 15 anos, criou uma revista - “Student” - que, surpreendentemente, deu certo. A história da publicação, contada logo no primeiro capítulo do seu livro, é um exemplo perfeito dos princípios que, segundo Branson, o levaram tantas vezes ao bom êxito. Primeiro, planejamento. Apesar de ter sido sempre ousado, iniciando empreendimentos considerados de risco, e um marqueteiro de marca maior, dado a grandes lances publicitários, Branson é minucioso ao programar suas ações.
No caso da revista “Student”, “calculei cuidadosamente”, conta ele: isso significou planejar os gastos com papel e impressão, receitas com vendas aos leitores e com publicidade. E mais: ele e um amigo escreveram, durante quase dois anos, centenas de cartas oferecendo espaço para potenciais anunciantes. Resumo da história: depois de investirem quatro libras (emprestadas pela mãe de Branson) em selos, o primeiro cheque referente a anúncios foi de 250 libras.
A segunda “lição” de Branson é a persistência. Esse é, na verdade, o mote seminal de todo o seu livro. Não desistir nunca. Se o correio entra em greve e não for possível entregar a revista, é preciso buscar outra saída, seja lá qual for. O princípio, inculcado em Branson pela mãe, como ele deixa claro na sua narrativa, fez com que ele se saísse bem inclusive nas suas aventuras espetaculosas, como nas viagens de balões, em que o vento se tornou desfavorável e ele teve que usar a criatividade, mas nunca desistindo, sem se importar muito com as reações de espanto ou curiosidade. Em resumo, exatamente o que diz o título original do livro: “Screw It, Let’s Do It”. Deselegante, mas fiel a Branson.
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ERA UMA VEZ …TRÊS
Eliana Sá
I
Era uma vez, três.
Três magos.
Três reis.
Era uma vez, três.
Três homens.
Três reis.
Viajando em seus camelos, com seus servos em caravanas.
Noite e dia, sem descanso, por desertos e savanas.
Era uma vez, três.
Três homens seguindo uma estrela, sem medo ou hesitação.
Seguindo também um desejo, uma clara intuição.
O que movia aqueles três, majestades em seus reinados,
a viajar de repente, naquele passo apressado?
Sendo magos, adivinhos, previram que longe dali,
além da estrela e sua luz,
nascera um menino divino,
um deus-menino, Jesus.
E como eram sábios ,de grande saber total,
confiavam que uma estrela nunca erra seu sinal.
II
Era uma vez, três.
Três nobres ajoelhados em frente a um pobre menino
e a seus pais assustados.
Era uma vez, três.
Três presentes bem guardados.
Incenso, mirra e ouro,
em tecidos embrulhados,
Três presentes, um tesouro.
ao pobre menino ofertados.
III
Era uma vez, três.
Três homens e uma criança.
No mundo nunca se vira nascer tanta Esperança!
Foi na livraria Martins Fontes da Paulista, um encontro entre Holanda e Brasil em torno da autora Mara Parrela que veio para o lançamento de seu livro. Jornalistas, professores e alunos de holandês, amigos e os cônsules holandeses em São Paulo prestigiaram Mara e seu trabalho que fala de imigração e de realização fora do país natal.
Confira as fotos!
Acredite em você e vá em frente saiu na seção “Os Livros que a gente ama” da edição de outubro da revista Claudia. Confira.

