Confissões de acompanhantes (Passagem Cultural, 15/10/2008)

Quarta-feira, 15 de Outubro de 2008

Confissões de acompanhantes

O mistério que ronda a prostituição ainda é fetiche para muita gente. Apresentada de maneira descomplicada na novela das oito, ou condenada nos programas de religiosos, a vida de quem escolheu ganhar dinheiro fazendo sexo quase nunca é retratada de maneira digna e verídica.

Em Confissões de acompanhantes, Newton Cannito trata, como poucos, de modo sincero e honesto do cotidiano da prostituição. Sem cair no drama banal e na vitimização, trazem relatos que integram o projeto Confissões, que conta também com um site no qual é possível a interação com pessoas reais.

Desestigmatizar universos alheios aos padrões dominantes é um traço que singulariza o trabalho de Cannito, que já assinou o roteiro do seriado Cidade dos homens, sobre a vida nos morros cariocas, e dirigiu o documentário Jesus no mundo maravilha, sobre a política militar.

Agora, em Confissões de acompanhantes, desvenda o mundo da prostituição. O texto é fluido e gostoso de ler. Traz histórias curiosas como do gigolô que apanha de mulher ou da prostituta que sai com lésbicas, mas se considera hétero. Tem também partes cômicas, ainda que didáticas, sobre o “fio-terra”, ou como colocar a camisinha com a boca (não em você mesmo, é claro).

Confissões de acompanhantes. Newton Cannito. Editora Fábrica de Idéias Cinemáticas. 176 páginas.

Fonte.