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Por Editora Sá | 05 de Novembro de 2007 | Em Notícias |

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Com a proposta de apresentar “a verdade” sobre a capital do Afeganistão, a mesa que reuniu os escritores Yasmina Khadra, Deborah Rodriguez e Shah Muhammad Rais na XIII Bienal do Rio tornou-se uma sessão coletiva de críticas ao Ocidente e defesa da cultura afegã e de outros países orientais. No gélido auditório Machado de Assis, diante de um público pequeno, os três concordaram que os países ocidentais não podem se tomar como parâmetro para julgar as nações islâmicas.

- Quando cheguei ao Afeganistão, tive impressão de ter voltado no tempo. Mas depois percebi que aquela é uma cultura muito tradicional, que não conseguimos entender de imediato - disse a americana Rodriguez, autora de “O salão de beleza de Cabul” (Campus). - Muitas vezes, os pais afegãos botam as filhas na cadeia para evitar que elas fujam com o namorado e percam a virgindade, o que seria uma vergonha para a família. Eu não concordo com isso, mas… não posso impor o que eu acho que é certo.

Mediador da conversa, o colunista do GLOBO Merval Pereira pediu que os debatedores comentassem temas como o confronto de civilizações, os direitos das mulheres e o trabalho infantil. Rais, retratado de forma vilanesca pela jornalista norueguesa Asne Seierstad no best-seller “O livreiro de Cabul” (Record) e autor de “Eu sou o livreiro de Cabul” (Betrand Brasil), culpou as invasões de soviéticos e americanos pelas mazelas do Afeganistão. Com ar defensivo e inglês de sotaque carregado, o livreiro disse que seus filhos não trabalham como disse Asne no livro, mas estavam de férias da escola no período em que ela viveu entre eles.

Khadra, autor de “As sirenas de Bagdá” (Sá Editora), disse que o Ocidente é megalômano e se toma como um ideal de perfeição. De volta de uma viagem por 14 estados dos EUA, disse que não viu lá uma democracia:.

- O que vi foram pessoas com medo da política, da Justiça, que se vêem obrigadas a viver sempre de forma gregária porque vivem em meio à incerteza.

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